"A fé é
o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não
se vê."
Hb11,1.


Breve
histórico de dom vital, lido na missa celebrada na paróquia santo
Antonio em Lídice, no dia 09 de julho de 2007,no jubileu de 50 anos de
episcopado.
Dom Vital Wilderink, membro da Ordem dos Carmelitas, nascido em Denventer-Holanda,
nome de batismo João Geraldo. Após três anos de seminário
menor na Holanda, veio para o Brasil em janeiro de 1949, residiu em Itu-SP,
onde completou os estudos do seminário menor.
No ano de 1951, em Mogi das Cruzes, ingressou para o noviciado, no fim do qual
fez sua primeira profissão religiosa. Fez os estudos de Filosofia em
São Paulo. Foi enviado para o curso de Teologia em Roma no Colégio
Internacional dos Carmelitas. Terminado o curso de Teologia, foi ordenado sacerdote,
junto com Frei Carlos Mesters seu amigo e companheiro desde o seminário
menor, no dia sete de julho de 1957 em Roma por um bispo carmelita irlandês,
missionário na África.
Permaneceu em Roma para continuar seus estudos de Teologia, na Universidade
Santo Thomás de Aquino, em que se doutorou na área de espiritualidade.
A fim de redigir sua tese de doutorado fez prolongadas pesquisas na França.
Lecionou no Colégio Internacional dos Carmelitas em Roma nos anos 63
e 64. Em janeiro de 1967, apesar do desejo do superior Geral, de que ele permanecesse
em Roma, como professor preferiu voltar para o Brasil.
Retornando para o Brasil em 1967, estabeleceu-se em Minas Gerais, onde por algum
tempo foi professor no Instituto de Teologia de Belo Horizonte.Neste mesmo ano
trabalhou como operário em uma pedreira e numa fábrica de tecidos,
para conhecer melhor o mundo do trabalho dos pobres.
No ano de 1968, foi nomeado diretor do departamento de formação
da CRB nacional.Exerceu essa função por dois anos, durante esse
período participou como representante da CRB, da segunda Conferencia
Episcopal Latino América, em Medellín. Em 1970 a pedido de quatro
congregações, foi para diocese de Itabira-MG- para acompanhar
às irmãs em um novo estilo de vida inserida no meio de povo, no
continuo esforço de responder as diretrizes da conferência e tornou-se
coordenador pastoral da mesma diocese até 1974.
Neste ano retirou-se em ano sabático, para Colômbia, fazendo um
curso no Instituto de Pastoral do CELAM, até outubro do mesmo.
Retornando ao Brasil, foi transferido para Angra dos Reis, a pedido de D.Valdir,
por quem foi nomeado vigário episcopal da região litorânea
da diocese de Volta Redonda, onde era previsto, devido a sua extensão,
a criação de uma nova diocese.
Em 1977 frei Vital começou a assumir, em fins de semana, as celebrações
desta paróquia de Lídice e da comunidade da Estação,
devido a transferência do seu confrade frei Paulo. Neste tempo fez um
prolongado retiro no Alto do Rio das Pedras, onde foi acolhido pela família
dos Moreira.
Neste mesmo ano num encontro casual com dom Raimundo, aconteceu a partilha de
um sonho comum, viver um vida de estilo mais contemplativo. Marcaram um encontro
em Angra dos Reis, para verem a possibilidade de realizarem junto esse sonho.
Foram ver um pequeno terreno num bosque. Era dia 18 de novembro de 1977, no
entanto no dia seguinte um telefonema de Brasília convocando o frei Vital,
a comparecer na Anunciatura Apostólica desfez todo o seu projeto. Fora
nomeado pelo Papa Paulo VI bispo auxiliar da diocese de Volta Redonda, com a
tarefa de preparar a nova diocese Sul Litoral. Sendo sagrado bispo por dom Valdir,
no dia 13 de agosto de 1978, na Igreja do Conforto de Volta Redonda. Sendo seu
lema: Testemunhar o Evangelho da Graça de Deus. Foram dois anos 78 e79
de trabalho com o povo desta região em conjunto com irmãs de varias
congregações, chamadas por ele mesmo, para marcar presença
na pastoral. Em abril de 1980 foi criada a nova diocese, pelo Papa João
Paulo II, tendo Itaguaí como sede. E nomeou dom Vital com seu primeiro
bispo.
Como seu carisma de unidade e no desejo de ter uma igreja feita por todos, Igreja
Povo de Deus, convocou o Sínodo diocesano, que teve duração
de cinco anos.
Incentivou a pastoral catequética na diocese e a pastoral social, tendo
especial atenção a duas pastorais operaria e CPT da qual participou
da reunião de fundação em Goiânia e fundador da mesma
no Estado do Rio de Janeiro.
A vida consagrada sempre mereceu seu especial carinho, tanto a nível
local e nacional. Ordenou os primeiros padres brasileiros da diocese. Com sua
sensibilidade e opção preferencial pelos pobres, criou o projeto
de acolhida a meninos e meninas de rua, construindo uma casa, a qual os meninos
chamaram Nossa Casa. A diocese tinha um rosto multiforme, onde todos se sentiam
acolhidos, expressão de uma preocupação sua, que o fazia
dizer: "Na diocese o meu primeiro desejo é que as pessoas que vêm
prestar um serviço sintam-se primeiramente acolhidas no seu ser e não
pelo que podem fazer. Isso vem depois."
Por doze anos participou da CNBB, atuou especialmente como responsável
na dimensão Bíblico-Catequética e fez parte da comissão
catequética do CELAM.
Participou da quarta Conferencia Episcopal Latino Americana de Santo Domingos
e de dois Sínodos em Roma.
Os vinte anos passados no exercício do ministério episcopal não
apagaram o sonho de uma vida de estilo mais contemplativo. Os laços criados
com a família Moreira, durante o retiro que realizou em 1977 no Alto
do Rio das Pedras, tornou possível a concretização desse
sonho, quando seu Zé Moreira em ocasião das bodas de ouro de casamento,
escreveu uma cartinha a Dom Vital, convidando-o a celebrar a missa para o casal
e que também lhe reservavam uma supressa.
A supressa consistia num na doação de um pequeno terreno, onde
construiu uma casa e uma capela, para viver sua vida num estilo mais contemplativo.
Com a permissão do Papa João Paulo II renunciou o governo da diocese
e desde 1998 vive com eremita no Alto do Rio das Pedras. Não demorou
muito para as pessoas amigas e conhecidas começarem a subir o Alto, para
fazer retiros e desfrutar da sabedoria da pessoa de dom Vital na orientação
espiritual.
Ele que soube deixar Deus ter a primazia em sua vida, possa continuar na sua
simplicidade, ternura, acolhida e solidariedade criativa, conduzir-nos para
que Deus seja na nossa vida e na realidade de hoje o nosso Único Essencial.
Pela Palavra de Deus na vida de dom Vital, demos graças a Deus.

"Respondeu-lhe
Jesus. 'Em verdade vos digo: ninguém há que tenha deixado casa
ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras
por causa de mim e por causa do Evangelho, que não receba, já
neste século, cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães,
filhos e terras, com perseguições e no século vindouro
a vida eterna'. "