
"O compromissos missionário de toda a comunidade. Ela sai ao encontro
dos afastados, interessa-se por sua situação, a fim de reencantá-los
com a Igreja e convidá-los a retornarem para ela" (DA n. 226 d).
Os 450 padres reunidos no 12º Encontro Nacional de Presbíteros
em Itaici, em Indaiatuba, SP, voltaram às suas paróquias convencidos
de que terão de sair da sacristia se quiserem manter o rebanho e conquistar
novos fiéis. Para serem discípulos e missionários de
Jesus, sacerdotes e leigos terão de bater de porta em porta, a exemplo
dos evangélicos, num esforço permanente, como aconselha o Documento
de Aparecida, aprovado pelos bispos latino-americanos em maio do ano passado.
"Foi-se o tempo e que bastava tocar o sino para atrair as pessoas",
observou dom Esmeraldo Barreto de Farias, bispo de Santarém, (PA).
Essa advertência reforça a pregação de dom Cláudio
Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, do Vaticano, entusiasta
e incentivador da Missão Continental, uma das principais conclusões
da Conferência de Aparecida. "Temos de correr atrás dos
católicos que abandonam a prática religiosa, porque nós
os batizamos e somos responsáveis pela sua fé", declarou
em Itaici (1).
Nosso Senhor Jesus Cristo pergunta: "Qual de vós, tendo cem ovelhas
e perder uma, não abandona as noventa e nove no deserto e vai em busca
daquela que se perdeu, até encontrá-la? E a chamado-a, alegre
a coloca sobre os ombros e, de volta para casa, convoca os amigos e os vizinhos,
dizendo-lhes: 'Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida!'
(Lc 15, 4-6)."
Temos que obedecer a ordem de Cristo. Vamos buscar os afastados da Igreja
e pregar o Santo Evangelho de salvação para toda criatura (Mc
16, 15).
Afirma São Paulo Apóstolo: "Anunciar o evangelho não
é título de glória para mim; é, antes, uma necessidade
que se me impões. AI DE MIM, SE EU NÃO ANUNCIAR O EVENGELHO"
(1 Cor 9, 16).
O ínclito fundador da família paulina, o Bem-aventurado Padre
Tiago Alberione, dizia ser preciso ir ao encontro das pessoas, já que
elas se afastaram da igreja. É preciso escancarar portas e janelas
e permitir uma interação entre as pessoas "de dentro"
e as "de fora".
Conectada com essa visão a Igreja tem condições de chegar
com sua mensagem nos corações das pessoas e terá um resultado
maravilhoso.
A Igreja precisa se mexer
O Concílio Vaticano II, no decreto Ad Gentes, ensina: "Cada
discípulo de Cristo tem sua parte na tarefa de propagar a fé"
(n.23).
Cada católico tem que ter consciência da sua responsabilidade
de buscar a "ovelha perdida" e anunciar a Boa Nova de Cristo que
tem poder de libertar toda criatura da cultura de morte.
O ser humano só pode ter vida e vida com abundância no projeto
do reino de Deus.
Só no fundamento da doutrina de Jesus de Nazaré, a pessoa pode
e deve encontrar, paz, justiça e salvação.
"No fiel cumprimento de sua vocação batismal, o discípulo
deve levar em consideração os desafios que o mundo de hoje apresenta
à Igreja de Jesus, entre outros: o êxodo de fieis para seitas
e outros grupos religiosos; as correntes culturais contrárias a Cristo
e à Igreja" (DA n.185).
A Santa Madre Igreja enfrentou e vai enfrentar sempre os grandes desafios
contrários o seu projeto de paz e justiça e de vida eterna.
Nada pode deter a sua missão em prol da dignidade da pessoa humana.
Temos a promessa de Jesus Cristo: "As portas do Inferno nunca prevalecerão
contra ela" (Mt 16, 18).
Não podemos ter medo dos desafios e dos inimigos de Cristo e da sua
Igreja.
"A fome não só destruiu a fé no Czar como também
a fé em Deus", disse com mentira, deboche e cinismo o comunista
ditador soviético ateu Vladimir Lenin (1870-1924). Ele utilizou a fome
como meio "didático" de transformar a sociedade a extirpar
qualquer fé religiosa.
Ora, sabemos a derrota do comunismo e a morte da sua ideologia ufanista contra
fé cristã.
No século XXI, temos o confronto da dissimulada Nova Era. A sua tarefa
é destronar radicalmente do mundo "a fé cristã",
"a graça de Cristo, o sangue do Cordeiro Imaculado" e o "amor
ao único Deus verdadeiro".
O escritor ateu e autor do bestseller "A Bússola de Ouro",
Philip Pullman disse "Estou tentando minar as bases da fé cristã",
se referindo ao conteúdo herético de sua obra.
Diante dos desafios atrevidos e provocativos, temos que confrontá-los
com mais ousadia e audácia como pede o Documento de Aparecida: "A
Igreja é chamada a repensar profundamente e a relançar com fidelidade
e "audácia" sua missão nas novas circunstâncias
latino-americanas e mundiais" (n. 11).
"A Igreja na América Latina precisa se mexer. A Igreja está
chamada a continuar com esse estado de missão permanente de que fala
Aparecida, e esta missão de ser energicamente posta em andamento, para
reverter a erosão que a Igreja Latino-Americana está sofrendo,
declarou Dom Antônio Arregui Yarza, arcebispo de Guayaquil e presidente
da Comissão Episcopal de Comunicação de Conferência
Episcopal Equatoriana, em um diálogo com a Organização
Católica Latino-Americana e do Caribe de Comunicação
(OCLACC)" (2).
CONHECER A FÉ
Num mundo em que vivemos com tanto conhecimento técnico e científico,
da era pós-moderna e globalizada, mais do que nunca, precisamos urgente
e profundamente conhecer a nossa santíssima fé.
Como é atual a exortação do apóstolo São
Pedro: "Crescei na garça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador
Jesus Cristo" (2 Pd 3, 18).
Atentemos para o pensamento abissal, salutar e bem oportuno do Cardeal e Arcebispo
de São Paulo, Dom Odilo Scherer: "O que realmente importa é
que cada católico, cada batizado, seja um católico consciente,
convicto, procure conhecer bem a própria fé e o significado
da pertença à Igreja"(3).
No que trata de conhecer bem a própria fé, o Documento de Aparecida
responde: "Para cumprir sua missão com responsabilidade pessoal,
os leigos necessitam de sólida formação doutrinal, pastoral,
espiritual e adequado acompanhamento para darem testemunho de Cristo e dos
valores do Reino no ambiente da vida social, e econômica, política
e cultural"(n. 212).
No tocante ao significado da pertença à Igreja, o mesmo Documento
diz: "os fiéis leigos são "os cristãos que
estão incorporados a Cristo pelo batismo que formam o povo de Deus
e participam das funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei.
Realizam, segundo sua condição, a missão de todo o povo
cristão na Igreja e no mundo". São homens da Igreja no
coração do mundo, e homens do mundo no coração
da Igreja" (DA n. 209).
CONCLUSÃO
Cada vez mais o mundo é hostil a santa doutrina de Cristo. O príncipe
das trevas, o deus deste mundo obscureceu a inteligência, a fim de que
não vejam brilhar a luz do evangelho da glória de Cristo, que
á a imagem de Deus". (2 Cor 4,4).
Todavia, não há derrotismo, não há fracasso para
mensagem libertadora de Cristo. Cremos que o evangelho é a força
de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1,16).
Temos ciência dos grandes desafios levantados pelos inimigos de Cristo
e sua Igreja, como: o avalanche das seitas, cultura de morte, projeto de demolição
da moral cristã, morte da consciência evangélica e a negação
do amor ao verdadeiro Deus Criador.
Os desafios existem para serem vencidos. Como é glorioso os confrontos,
tendo em vista a verdade e a salvação das almas.
Para o verdadeiro católico, ciente da sua responsabilidade, diante
da Santíssima Trindade e da Igreja, nada pode lhe coibir de buscar
seus irmãos afastados, feridos e excluídos ao rebanho do Bom
Pastor.
Pe. Inácio Jose do Vale
Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Siderlândia-Volta Redonda-RJ
Professor de História da Igreja
Faculdade de Teologia de Volta Redonda
E-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com
REFERÊNCIAS
(1) Mundo e Missão, abril de 2008, p.10.
(2) ZENIT.org. 10/03/2008.
(3) Brasil Cristão, março de 2008. p. 7.
Pullman, Philip. A Bússola de Ouro, Rio de Janeiro: Objetiva, 2008.