
Segundo o estudioso dos movimentos religiosos o Padre Oscar Quevedo, SJ,
existem, só no Brasil, mais de 56 mil seitas e religiões.
"O problema das seitas que invadem a América Latina impugnando
a fé católica de nossas populações é muito
grave e, como se depreende dos seguintes dados":
Na América Latina a cada 400 pessoas abandonam a fé católica.
Na Guatemala 25% da população já é protestante.
Em El Salvador cerca de 30% dos católicos já passaram para as
seitas.
No México em 1970 os protestantes eram 880.000. Hoje são perto
de 5.000.000 (cinco milhões).
"No Brasil também é evidente o avanço das seitas
resultante, em grande parte de ataques preconceituosos à Igreja Católica
e da ignorância religiosa do povo brasileiro".
Consciente disto escreve o Papa João Paulo II na Carta Apostólica
sobre a Igreja na América: "Os progressos proselitistas das seitas
e dos grupos religiosos na América não podem ser contemplados
com indiferenças. Exigem da Igreja nesse continente um profundo estudo
que se deve realizar em cada nação e também a nível
internacional para descobrir os motivos pelos quais não poucos católicos
abandonam a Igreja".
"O remédio a opor a tal problema é a intensificação
do estudo das verdades reveladas, especialmente dos pontos controvertidos
pelos novos pregadores", afirma o especialista no assunto, o Teólogo
Beneditino Dom Estêvão Bettencurt (1).
Vejamos uma explicação abissal desse grande apologista da fé católica: "A catequese tem-se ressentido de inoportuna timidez, tem aprimorado sua metodologia, mas não raro apresenta um conteúdo muito diluído"para não assustar" os catequizandos. A ignorância religiosa do povo católico torna-o mais sujeito ao arrastão das seitas, cuja pregação não raro deixa o católico perplexo e sem resposta, quando apresentam argumentos inconsistentes. A multiplicidade de propostas religiosas que bombardeiam o povo de Deus, se de um lado, é lamentável, de outro lado tem a vantagem de obrigar os fieis a aperfeiçoar sua formação doutrinaria para não serem carregados pelo vendaval" (2).
PROJEÇÃO
A religiosidade do povo brasileiro aumentou, os evangélicos (pentecostais
e tradicionais) continuam cada vez mais numerosos, mas o declínio do
catolicismo, que era de 1% ao ano desde 1972, estancou entre 2000 e 2003,
e, a partir daí, acompanha o crescimento populacional do país.
A esta conclusão chegaram os analistas do Centro de Políticas
Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), cujo economista-chefe,
Marcelo Néri, apresentou recentemente no Rio de Janeiro, o trabalho
"Economia das religiões: mudanças recentes", interpretação
dos dados do censo de 2000 e da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF,
2003), realizados pelo IBGE.
Uma projeção para 2007 indica que o Brasil, com uma população,
hoje, de 188,7 milhões de habitantes, teria 139,24 milhões de
católicos e 43,64 milhões de evangélicos - 28,8 milhões
de pentecostais e 14,8 milhões de evangélicos tradicionais.
"Esses dados são surpreendentes até para o Vaticano, onde
se tinha como certo que os católicos eram de 67% da população
brasileira. Posso assegurar que são 73,79%. Houve reação
do catolicismo nesta década", diz Marcelo Néri (Valor 03/05/2007),
p. A4).
FÉ FRAGILIZADA
No encontro do Papa Bento XVI com os Bispos do Brasil na Catedral da Sé
em São Paulo, em seu discurso de 11 de maio de 2007 disse:
"Entre os problemas que afligem a vossa solicitude pastoral está,
sem duvida, a questão dos católicos que abandonaram à
vida eclesial. Parece claro que a causa principal, dentre outras, deste problema,
possa ser atribuída à falta de uma evangelização
em que Cristo e a sua Igreja estejam no centro de toda explanação.
As pessoas mais vulneráveis ao proselitismo agressivo das seitas -
que é motivo de justa preocupação - e incapaz de resistir
às investidas do agnosticismo, do relativismo e do laicismo são
geralmente os batizados não suficientemente evangelizados, facilmente
influenciáveis porque possuem uma fé fragilizada e, por vezes,
confusa, vacilante e ingênua, embora conservem uma religiosidade inata"
(3).
No outro discurso do dia 13 de maio de 2007, na sessão inaugural
dos trabalhos da V. Conferência Geral do Episcopado da América
Latina e do Caribe, na sala de Conferencia do Santuário de Aparecida,
o Santo Padre afirmou: "Percebe-se, contudo, certo enfraquecimento da
vida cristã no conjunto da sociedade e da própria pertença
à Igreja Católica, devido ao secularismo, ao hedonismo, ao indiferentismo
e ao proselitismo de numerosas seitas, de religiões animistas e de
novas expressões pseudo-religiosas" (4).
O fenômeno das seitas para Igreja Católica é o grande
desafio para sua obra evangelística. A Igreja se defronta com ataques
violentos das seitas. Hoje o ataque vem com a alta tecnologia dos meios de
comunicação, internet e grandes editoras. Para lutar contra
a Igreja forma até partidos políticos e financiam converções
de pessoas influentes. Daí devemos alertar, instruir e conscientizar
o povo católico dessa engenhosa armação!
"Instruir o povo amplamente, com serenidade e objetividade, sobre as
características e diferentes das diversas seitas e sobre as respostas
às injustas acusações contra a Igreja" (Documento
Santo Domingo, n. 141).
O Documento de Santo Domingo (CELAM, 12/10/1992), se manifestou sobre o terrível
perigo atual das seitas:
"O problema das seitas adquiriu proporções dramáticas
e chega a ser verdadeiramente preocupante, sobretudo pelo crescente proselitismo"(n.
139).
O Papa João Paulo II tinha consciência do perigo das seitas em
afirmar: "Certamente a expansão de seitas 'constitui uma ameaça
para a Igreja Católica...' (RM,50)".
O Santo Padre disse que na Conferencia de Santo Domingo em outubro de 1992,
ficou claro para os bispos o seu perigo:
"O Documento final descreveu com clareza e precisão essas seitas
e movimentos, mostrou suas características e modos de atuar, deixou
claro os interesses políticos e econômicos envolvidos na sua
expansão em todos os continentes... (Conclusões do IV CELAM
nn. 139 152)".
Diante desse problema sectarista qual é a resposta?
Quem responde é o Papa Bento XVI. Na época era o Cardeal Joseph
Ratzinger, Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da
Fé.
"A resposta mais radical às seitas passa através "da
descoberta da identidade católica: é preciso uma nova evidência,
uma nova alegria, se posso dizer, é preciso mesmo um novo 'brio' (que
não contradiz a indispensável humildade) de sermos católicos.
Deve-se lembrar, além disso, que esses grupos atraem também
porque propõem às pessoas, sempre mais sozinhas, isoladas e
inseguras, uma espécie de 'pátria da alma', o calor uma comunidade.
É justamente esse calor, essa vida que, infelizmente, parece falar
frequentemente entre nós: onde as paróquias, esses núcleos
básicos irrenunciáveis, souberam revitalizar-se, oferecendo
o sentido da pequena Igreja que vive em união com a grande Igreja,
ali os sectários não puderam se estabelecer de modo significativo.
A nossa catequese, além disso, deve desmascarar o ponto sobre o qual
insistem esses novos 'missionários', isto é, a impressão
de que a Escritura é lida por eles de modo 'literal', enquanto os católicos
a teriam enfraquecido ou esquecido. Essa literalidade é frequentemente
a traição da fidelidade. O isolamento de frases individuais
e de versículos desvia, faz perder de vista a totalidade: lida no seu
conjunto, a Bíblia é realmente 'católica'. Mas é
preciso que isso seja demonstrado através de uma pedagogia catequética
que habitue à leitura da Escritura na Igreja e com a Igreja" (5).
O QUE É SEITA?
O teólogo Dom Estêvão Bettencurt,OSB, diz que "uma
seita (vem de sectário é uma dissidência ou um grupo fechado
que julga estar o mundo corrupto, e pretende ter a verdade como patrimônio
seu e solução para todos os problemas da humanidade. Os membros
das seitas são geralmente submetidos a um regime autoritário,
imposto por um líder "iluminado" que lhe dificulta o senso
crítico".
A multiplicação de seitas em nossos dias se explica, em grande
parte, por duas causas:
1) O Individualismo subjetivismo e relativista da mentalidade moderna a partir
de Martinho Lutero (século XVI );
2) A insegurança do homem contemporâneo, que sente angustia diante
da crise da sociedade e se dá por feliz, quando alguém, em nome
de Poder Superior, o acolhe e lhe propõe certezas e garantias (ainda
que fantasiosamente fundamentadas) (6).
O doutor em Ciências Sociais Giorgio Paleari define assim: "Em
seu sentido originário, seita representa um grupo que contexta uma
doutrina ou uma estrutura eclesiástica e, como tal, constitui-se numa
dissidência".
Diz mais: "Todo movimento religioso minoritário pode ser definido
como seita".
A teologia tomou essa palavra emprestada da língua latina. Ela significa,
antes, uma maneira de seguir um mestre e, sucessivamente, revestiu-se de um
significado de recusa e de separação, afirma Paleari (7).
Portanto, a seita é um ajuntamento de crentes que acreditam cegamente
nos ensinos de seu líder. Este é tido como iluminado, profeta,
guru, santo, etc.
A seita nasce de um cisma provocado por heresias, poder, dinheiro, luxúria
e loucuras.
É visível no arraial das seitas o fanatismo, intolerável,
proselitismo e fechamento.
SEITA E A IGREJA
O renomado teólogo John Vander Ploeg, O.P., doutor em teologia e
doutor em Sagrada Escritura e membro da Academia Real de Ciências da
Holanda afirma magistralmente: "Nosso Senhor não fundou uma seita,
mas a Igreja que é a Universal, isto é, Católica"
(8).
Quem, primeiramente, tentou uma definição de seita, relacionada
ao contexto social, em contraposição ao termo Igreja, foi sociólogo
alemão, Max Weber. Ele define Igreja como sendo uma Instituição
de Salvação, e seita, como um grupo dissidente mais rígido
e fechado. Seus adeptos devem ter comportamento exemplar. Desviar-se do modelo
de comportamento que a seita impõe comporta na expulsão do grupo
religioso. (cf. Weber, Max. "Tipos de Comunidade Religiosa". In:
Economia Y Sociedad. México, Ed. F. Perez Alvarex, 1964).
Tamanha diferença existe entre seita e a Igreja de Cristo. Esta conduz
a salvação, aquela à perdição.
A Santa Igreja Católica foi fundada uma única vez pelo Redentor
e Salvador Jesus Cristo, a seita foi e é fundada sempre por homens
pecadores, egoístas e de moral duvidosa.
A Igreja do Deus vivo é coluna e sustentáculo da verdade (1
Tm 3,15), a seita do deus deste mundo (2 Cor 4,4) é coluna de areia
e sustentáculo de falsas promessas.
"A Igreja é comunhão no amor. Esta é sua essência
e o sinal através do qual é chamada a ser reconhecida como seguidoras
de Cristo e servidora da humanidade" (DA n. 161).
Na seita não existe comunhão e sim um ajuntamento por meio do
medo e da chantagem emocional pregada pelo líder. Aqui está
assência das seitas. O líder ajunta e pela 'prisão mental'
os sectários seguem e servem somente a seu grupo e ao líder.
O individualismo e o descaso com as questões sociais, são características
principais das seitas.
A nossa missão é ser fiel a Cristo e a sua Igreja.
O Doutor da Igreja São João Crisóstomo e exortava: "não
te afaste da Igreja: nada é mais forte do que ela. Ela é a tua
esperança, o teu refúgio. Ela é mais alta que o céu
e mais vasta que a terra. Ela nunca envelhece".
CONCLUSÃO
Só a Igreja Católica tem um brilho único, uma beleza
única, uma riqueza de santos única e um Deus único verdadeiro
para uma indefectível Igreja única, fiel e verdadeira Esposa
Imaculada do Esposo glorioso e Imaculado.
Essa Igreja guiada na luz do Divino Espírito Santo, nunca vacilou e
jamais vacilará. Dizia Santo Agostinho, Doutor da Igreja e Bispo de
Hipona, no Norte da África: "Vacilará a Igreja se vacila
o seu fundamento, mas poderá talvez Cristo vacilar? Visto que Cristo
não vacila, a Igreja permanecerá intacta até o fim dos
tempos".
"Esta é a única Igreja de Cristo, que no símbolo
professamos uma, santa católica e apostólica, e que o nosso
Salvador, depois de sua ressurreição, confiou a Pedro para que
ele a apascentasse (Jo 21,17), encarregando-o, assim como os demais apóstolos,
de difundirem e de a governarem (cf. Mt 28, 18-20), levantando-a para sempre
como "coluna e esteio da verdade" (1 Tm 3,15). Esta Igreja como
sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na Igreja
Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão
com ele, ainda que fora do seu corpo se encontrem que, na sua qualidade de
dons próprios da Igreja de Cristo, conduzem para a unidade católica"
(Constituição Dogmática Lúmen Gentium, nº.
8).
"Sem mancha alguma, brilha a Santa Madre Igreja nos sacramentos com que
gera e sustenta os filhos; na fé que sempre conservou e conserva incontaminada;
nas leis santíssimas que a todos impõe, nos conselhos evangélicos
que dá; nos dons e graças celestes, pelos quais com inexaurível
fecundidade produz legiões de mátires, virgens e confessores.
Nem é sua culpa se alguns de seus membros sofrem de chagas ou doenças;
por eles ora a Deus todos os dias: "Perdoai-nos as nossas dívidas"
e incessantemente com fortaleza e ternura materna trabalha pela sua cura espiritual".
(Papa Pio XII, Encíclica Mystici Corporis, 65).
Não temos palavras para descrever a felicidade de sermos católicos.
É imensurável essa graça, esse amor e fé à
Santa Igreja Católica Apostólica Romana.
Tudo para glória, louvor, honra e adoração a Santíssima
Trindade.
Pe. Inácio José do Vale
Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Professor de História da Igreja
Faculdade de Teologia de Volta Redonda
Email: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com
REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIAS
(1) Pergunte e Responderemos, abril de 2007, p. 154.
(2) Pergunte e Responderemos, fevereiro de 2007, p. 366.
(3) Conferência Nacional dos Bispos do Brasil / Pronunciamentos do Papa Bento XVI no Brasil. Brasília: Edições CNBB, 2007, p. 30.
(4) Idem, p. 63.
(5) Ratzinger, Joseph. A fé em crise? O Cardeal Ratzinger se interroga / Joseph Ratzinger, Vittorio Messori, São Paulo: EPU, 1985, p. 87.
(6) Pergunte e Responderemos, n. 417 / 1997, p. 56.
(7) Paleari, Giorgio, Religiões do Povo, São Paulo: AM Edições, 1990, p. 86.
(8) Rifan, Dom Fernando Áreas. O Magistério Vivo da Igreja, orientação pastoral, Campos-RJ: 2007, p. 48.
Alves, Rubem. Protestantismo e repressão. São Paulo: Ática, 1979.
Monteiro, Douglas Teixeira. "Igrejas, seitas e agências: aspectos de um ecumenismo popular". In: Valle, Edênio e Queiroz, José. A cultura do Povo. São Paulo: Cortez e Moraes / EDUC, 1979.
Weber, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo.
Brasília: UnB,
1981.
Aquino, Prof. Felipe. Falsas Doutrinas-seitas e religiões, 7ª
/ ed. - Lorena: Cléofas, 2006.
Oliveira, Raimundo de Seitas e heresias, um sinal do fim dos tempos, 32ª ed. - Rio de Janeiro: 2007.
Documento de Aparecida. Texto Conclusivo da V Conferencia Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. 2ª ed. - Edições CNBB, Paulinas e Paulus: 2007.
Vam Baalem, J.K. O Caos das Seitas. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1970.