
REVOLUÇÃO GENÔMICA E DA INFORMAÇÃO
A herança cientifica do século XX, os avanços na área
da genética já transformam a fisionomia da ciência, da
medicina e da tecnologia do século XXI ao promover impactos inimagináveis
à vida das pessoas. A pesquisa do genoma traz promessas de completa
alterações no eixo genético, o que garantirá a
manipulação de genes para tratar de doenças graves, como
câncer, artrite reumatóide e esclerose múltipla, e equacionar
questões como a produção de alimentos e a degradação
do meio ambiente. "Este será o século do genoma. Conhecemos
cada vez mais o funcionamento dos genes", afirma Mayana Zats, geneticista,
coordenadora do Centro de estudos do Genoma Humano da Universidade de São
Paulo (USP) e uma das maiores autoridades no assunto.
O Dr. Jorge Kalil, diretor do Instituto de Ciências do Hospital Alemão
Oswaldo Cruz e professor titular da Faculdade de medicina da Universidade
de São Paulo (USP), vê com bons olhos as pesquisas genéticas
e diz acreditar que será possível oferecer tratamentos individualizados
para os pacientes. "Podemos fazer o mapeamento genético do paciente
para identificar como ele reagirá a cada tipo de droga e qual é
a mais eficiente para o caso dele. É um avanço enorme o tratamento"
(1).
Não temos dúvidas de que vivemos uma era de mudanças
constantes, inovações e desafios cada vez mais tremendos. O
progresso da ciência e o avanço da tecnologia genética
são estratégicos para o futuro de qualquer nação:
podem e vai influenciar todo o contexto social, econômico, político
e cultural.
Segundo Fernando Reinach, diretor-executivo da Votorantim Novos Negócios,
fundador e coordenador do Projeto Genoma Brasileiro, a forma como as nações
vão apostar suas fichas na biotecnologia será capaz de definir
sua posição na economia global. "É a chance de distribuir
melhor a renda no mundo".
REVOLUÇÕES
Depois da Revolução Política na França, da Revolução
Filosófica na Alemanha e da Revolução Industrial na Inglaterra,
agora na pós-modernidade é a vez da Revolução
Genômica e da Informação.
A Revolução Genômica está em curso e é possível
identifica-la na utilização de plantas transgênicas e
na evolução das pesquisas com células-tronco. Em relatório
divulgado em 2006, o serviço Internacional para a Aquisição
de Aplicações Agrobiotecnológicas (Isaaa, na sigla em
Inglês) mostrou que as plantações biotecnológicas
- que utilizam técnicas como a transgênese - devem ocupar 102
milhões de hectares em todo o mundo até 2015. O crescimento
na adoção de biotecnologia é de 13% frente ao último
período medido. No Brasil, a utilização de plantas modificadas
cresceu 22% do total da área plantada e o grupo dos países em
desenvolvimento é responsável por 40% das plantações
biotecnológicas globais. "Hoje, 20% da área agrícola
mundial é transgênica", afirma Fernando Reinach.
O sociólogo inglês Michael Willmott, um dos criadores da Fundação
Futuro, especializada nesse tipo de pesquisa, ele é pago por megaempresas,
como British Telecom, Compaq e Mc Donald's, ansiosos por informações
que ajudem a planejar os negócios no século XXI. O que nos reserva
o futuro, na opinião do sociólogo, são mudanças
mais rápidas e radicais do que as que aconteceram nos últimos
cinqüenta anos. Será um mundo globalizado, funcionando a todo
vapor durante as 24 horas do dia. A internet era virtualmente desconhecida
apenas uma década atrás. Hoje milhões de pessoas estão
conectadas e o número de internautas não pára de crescer.
Isso é a Revolução da informação diz Willmott
(2).
Dentro da revolução da Informação está
a riqueza poderosa do conhecimento. "Daqui para frente, o principal capital
da humanidade será o conhecimento", afirma José Pastore,
sociólogo e professor da faculdade de Economia e Administração
da USP.
O nosso primeiro astronauta Marcos César Pontes disse que a "ciência
e tecnologia são o futuro de qualquer país" (3).
"Que a ciência e a tecnologia sejam consideradas por todos como
prioridades de fato, essenciais para o desenvolvimento soberano do País.
Este é ainda um sonho e requer esforço permanente de governos
e sociedade para se transformar em realidade", diz Wanderley de Souza,
Secretário de Ciência Tecnologia e Inovação do
Rio de Janeiro.
PÓS-MODERNIDADE
Nosso mundo pós-moderno, tomado pela extraordinária revolução
genômica e da informação, marcado pelas incertezas e por
tantas incompatibilidades, se pergunta o que é mesmo pós-modernidade?
Quem responde é o sociólogo francês Michel Maffesoli é
hoje o mais importante e original teórico da pós-modernidade
no mundo. Autor do livro "O Ritmo da vida: variações sobre
o imaginário pós-moderno".
Ele escreve que a "pós-modernidade é o encontro do arcaico
com a tecnologia de ponta. A sinergia entre o antigo e o sempre novo".
Diz mais: "A pós-modernidade está longe de ser para ele
a realização de um paraíso. Ela é o que é
para o bem e o mal"(4).
A característica da pós-modernidade é a globalização.
O mundo ficou pequeno. A privacidade foi invadida. Todo mundo se ver, fala
e se conhece pela lente da arte tecnológica.
Como Michael Willmott ver a globalização? "Há duas
maneiras de ver a globalização: como uma ameaça ou uma
oportunidade. Como a continuidade do processo de exploração
dos pobres pelos ricos ou como a chance de os pobres melhorarem. Eu vejo como
uma oportunidade", diz Willmott.
A práxis soberba e exacerbada da epistemologia e do tecnicismo são
fundamentos da era pós-moderna.
Há 30 anos, o escritor americano Alvim Toffer previu no seu clássico
"O Choque do Futuro" que o século XXI seria sacudido por
um novo modelo produtivo, a sociedade "pós-industrial", em
que a tecnologia e a sobrecarga de informações ditariam as regras.
No seu mais recente livro, "Riqueza Revolucionária", escrito
em dupla com sua mulher Heide Toffer, o ensaísta assegura que o mundo
já saiu do antigo modo de produção fabril para uma nova
economia, baseada em conhecimento.
MUDANÇAS
O grande pensador inglês John Stuart Mill declarou: "Nenhum grande
avanço no destino da Humanidade é possível sem que haja
uma grande e fundamental mudança nos seus modos de pensar".
Com tanto conhecimento científico e tecnológico, será
que vamos ver na era genômica o triunfo do bem sobre o mal, a cura das
doenças, o fim da fome, da degradação ambiental, do fanatismo
religioso, das guerras e das atrocidades humanas? Para o célebre cineasta
tcheco, premiado duas vezes com o Oscar ("Um Estranho no Ninho"
e "Amadeus"), Milos Forman, não vamos ver tais grandes mudanças
no pensar da humanidade! Forman afirma: "O ser humano está condenado
a repetir os erros do passado. Mesmo em pleno século XXI, perseguições
ideológicas voltam a ocorrer, sob novas bandeiras, em diferentes partes
do mundo" (5).
Para o escritor francês Gustave Flaubert, em seu livro "Bouvard
e Pécuchet", este romance narra à história de dois
escreventes: Bouvard e Pécuchet que, depois de receber uma herança,
abandonam seus escritórios para levar uma vida retirada, no campo,
onde estudam e põem em prática as mais diversas disciplina -
agricultura, astronomia, medicina, filosofia, sempre com resultados frustantes.
Na figura dos dois estudiosos, mas atrapalhados escreventes, Flaubert satiriza
a fé cega no conhecimento livresco e no progresso científico.
Realmente, não é fácil resolver os problemas da humanidade.
É muito complexo a incompatibilidade do gênero humano. Penetrar
na natureza do ser humano, não é coisa fácil. A máquina
do cérebro humano ainda é um oceano impenetrável.
Essa é uma contradição humana que já foi considerada
pelo dramaturgo inglês William Shakespeare quando disse: "Se fosse
tão fácil fazer o que se fala, as capelas seriam igrejas e as
choupanas seriam palácios".
Com toda contradição humana, devemos acreditar e ter esperança
no lado bom da pontencialidade da raça humana.
Apostar no que tem de bom na ciência e na tecnologia para a riqueza
social, política, econômica, cultural e religiosa.
Ter em mente o colossal pensamento do Papa Peregrino e da Paz, João
Paulo II: "O desejo mais vivo que sai de meu coração e
que os erros do passado não se repitam no futuro". (6).
Esse pensamento desperta em cada um de nós, a consciência de
trabalharmos pela dignidade da pessoa humana e promover o bem comum com justiça
e paz para que não haja espaço na sociedade para as atrocidades.
O nosso projeto de qualidade de vida tem como fundamento a esperança
em Deus. Não desprezando todo conhecimento humano, é claro!
Dizia o ínclito arcebispo de Recife e Olinda, Dom Helder Câmara:
"Esperança é crer na aventura do amor, jogar nos homens,
pular no escuro confiando em Deus".
"O Homem tem necessidade de Deus; do contrário, fica privado de
esperança", escreve o Papa Bento XVI. (7).
CONCLUSÃO
Não resta dúvida, o conhecimento científico e tecnológico
é muito relevante para os dias atuais e para o futuro da humanidade.
Hoje é impossível viver sem a ressonância magnética
e sem os aparelhos eletrônicos. Como se diz: "Não existe
gente feia", pura verdade para as clínicas de cirurgia plásticas.
Beleza e auto-estima andam juntas, porém com equanimidade.
Ter acesso a toda máquina com sabedoria é uma grande vantagem
que o possuidor tem sobre os demais. Não para excluir e jamais destruir
os outros. Ao contrário, quem tem a posse dessa ferramenta deve ajudar
de maneira radical o seu próximo a ser incluso no meio social com as
mesmas vantagens e oportunidade. Pra isso serve o conhecimento técnico-científico:
construir uma sociedade mais justa e fraterna. Para tudo isso, é fundamental
o governo fazer a sua parte.
A revolução genômica e da informação, são
peças importantíssimas na era pós-moderna para fazer
do mundo globalizado um lar onde haja pão e amor para todos.
Pe. Inácio José do Vale
Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Professor de História da Igreja
Faculdade de Teologia de Volta redonda
e-mail: pe.inaciojose@hotmail.com
Referências
(1) Valor, sexta-feira e fim de semana, 18,19 e 20/01/2008, pp.9 e 10.
(2) Veja, 01/09/1999, p.11.
(3) O Globo, 30/03/2006, p.33.
(4) Jornal do Brasil, 14/04/2007, p.6.
(5) Valor, sexta-feira, fim de semana, 21 a 25/12/2007, p.26.
(6) João Paulo II, em Discurso na Chegada à Ucrânia, sua 94º Viagem Internacional, sobre a Reconstrução da Identidade Cultural do País.
(7) Carta Encíclica do Santo Padre Bento XVI, Spe Salvi, nº 23.