"A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê."
Hb11,1.

 

 

 

 


Pe.Inácio
Paróquia São Paulo Apósolo
Volta Redonda
pe.inacio.jose@pelafe.net

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Revolução Genomica da Informação
"Respondeu-lhe Jesus. 'Em verdade vos digo: ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e por causa do Evangelho, que não receba, já neste século, cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, com perseguições e no século vindouro a vida eterna'. "
São Marcos 10,29

REVOLUÇÃO GENÔMICA E DA INFORMAÇÃO

A herança cientifica do século XX, os avanços na área da genética já transformam a fisionomia da ciência, da medicina e da tecnologia do século XXI ao promover impactos inimagináveis à vida das pessoas. A pesquisa do genoma traz promessas de completa alterações no eixo genético, o que garantirá a manipulação de genes para tratar de doenças graves, como câncer, artrite reumatóide e esclerose múltipla, e equacionar questões como a produção de alimentos e a degradação do meio ambiente. "Este será o século do genoma. Conhecemos cada vez mais o funcionamento dos genes", afirma Mayana Zats, geneticista, coordenadora do Centro de estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP) e uma das maiores autoridades no assunto.
O Dr. Jorge Kalil, diretor do Instituto de Ciências do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e professor titular da Faculdade de medicina da Universidade de São Paulo (USP), vê com bons olhos as pesquisas genéticas e diz acreditar que será possível oferecer tratamentos individualizados para os pacientes. "Podemos fazer o mapeamento genético do paciente para identificar como ele reagirá a cada tipo de droga e qual é a mais eficiente para o caso dele. É um avanço enorme o tratamento" (1).
Não temos dúvidas de que vivemos uma era de mudanças constantes, inovações e desafios cada vez mais tremendos. O progresso da ciência e o avanço da tecnologia genética são estratégicos para o futuro de qualquer nação: podem e vai influenciar todo o contexto social, econômico, político e cultural.
Segundo Fernando Reinach, diretor-executivo da Votorantim Novos Negócios, fundador e coordenador do Projeto Genoma Brasileiro, a forma como as nações vão apostar suas fichas na biotecnologia será capaz de definir sua posição na economia global. "É a chance de distribuir melhor a renda no mundo".

REVOLUÇÕES

Depois da Revolução Política na França, da Revolução Filosófica na Alemanha e da Revolução Industrial na Inglaterra, agora na pós-modernidade é a vez da Revolução Genômica e da Informação.
A Revolução Genômica está em curso e é possível identifica-la na utilização de plantas transgênicas e na evolução das pesquisas com células-tronco. Em relatório divulgado em 2006, o serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agrobiotecnológicas (Isaaa, na sigla em Inglês) mostrou que as plantações biotecnológicas - que utilizam técnicas como a transgênese - devem ocupar 102 milhões de hectares em todo o mundo até 2015. O crescimento na adoção de biotecnologia é de 13% frente ao último período medido. No Brasil, a utilização de plantas modificadas cresceu 22% do total da área plantada e o grupo dos países em desenvolvimento é responsável por 40% das plantações biotecnológicas globais. "Hoje, 20% da área agrícola mundial é transgênica", afirma Fernando Reinach.
O sociólogo inglês Michael Willmott, um dos criadores da Fundação Futuro, especializada nesse tipo de pesquisa, ele é pago por megaempresas, como British Telecom, Compaq e Mc Donald's, ansiosos por informações que ajudem a planejar os negócios no século XXI. O que nos reserva o futuro, na opinião do sociólogo, são mudanças mais rápidas e radicais do que as que aconteceram nos últimos cinqüenta anos. Será um mundo globalizado, funcionando a todo vapor durante as 24 horas do dia. A internet era virtualmente desconhecida apenas uma década atrás. Hoje milhões de pessoas estão conectadas e o número de internautas não pára de crescer. Isso é a Revolução da informação diz Willmott (2).
Dentro da revolução da Informação está a riqueza poderosa do conhecimento. "Daqui para frente, o principal capital da humanidade será o conhecimento", afirma José Pastore, sociólogo e professor da faculdade de Economia e Administração da USP.
O nosso primeiro astronauta Marcos César Pontes disse que a "ciência e tecnologia são o futuro de qualquer país" (3).
"Que a ciência e a tecnologia sejam consideradas por todos como prioridades de fato, essenciais para o desenvolvimento soberano do País. Este é ainda um sonho e requer esforço permanente de governos e sociedade para se transformar em realidade", diz Wanderley de Souza, Secretário de Ciência Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro.

PÓS-MODERNIDADE

Nosso mundo pós-moderno, tomado pela extraordinária revolução genômica e da informação, marcado pelas incertezas e por tantas incompatibilidades, se pergunta o que é mesmo pós-modernidade?
Quem responde é o sociólogo francês Michel Maffesoli é hoje o mais importante e original teórico da pós-modernidade no mundo. Autor do livro "O Ritmo da vida: variações sobre o imaginário pós-moderno".
Ele escreve que a "pós-modernidade é o encontro do arcaico com a tecnologia de ponta. A sinergia entre o antigo e o sempre novo". Diz mais: "A pós-modernidade está longe de ser para ele a realização de um paraíso. Ela é o que é para o bem e o mal"(4).
A característica da pós-modernidade é a globalização. O mundo ficou pequeno. A privacidade foi invadida. Todo mundo se ver, fala e se conhece pela lente da arte tecnológica.
Como Michael Willmott ver a globalização? "Há duas maneiras de ver a globalização: como uma ameaça ou uma oportunidade. Como a continuidade do processo de exploração dos pobres pelos ricos ou como a chance de os pobres melhorarem. Eu vejo como uma oportunidade", diz Willmott.
A práxis soberba e exacerbada da epistemologia e do tecnicismo são fundamentos da era pós-moderna.
Há 30 anos, o escritor americano Alvim Toffer previu no seu clássico "O Choque do Futuro" que o século XXI seria sacudido por um novo modelo produtivo, a sociedade "pós-industrial", em que a tecnologia e a sobrecarga de informações ditariam as regras. No seu mais recente livro, "Riqueza Revolucionária", escrito em dupla com sua mulher Heide Toffer, o ensaísta assegura que o mundo já saiu do antigo modo de produção fabril para uma nova economia, baseada em conhecimento.


MUDANÇAS

O grande pensador inglês John Stuart Mill declarou: "Nenhum grande avanço no destino da Humanidade é possível sem que haja uma grande e fundamental mudança nos seus modos de pensar".
Com tanto conhecimento científico e tecnológico, será que vamos ver na era genômica o triunfo do bem sobre o mal, a cura das doenças, o fim da fome, da degradação ambiental, do fanatismo religioso, das guerras e das atrocidades humanas? Para o célebre cineasta tcheco, premiado duas vezes com o Oscar ("Um Estranho no Ninho" e "Amadeus"), Milos Forman, não vamos ver tais grandes mudanças no pensar da humanidade! Forman afirma: "O ser humano está condenado a repetir os erros do passado. Mesmo em pleno século XXI, perseguições ideológicas voltam a ocorrer, sob novas bandeiras, em diferentes partes do mundo" (5).
Para o escritor francês Gustave Flaubert, em seu livro "Bouvard e Pécuchet", este romance narra à história de dois escreventes: Bouvard e Pécuchet que, depois de receber uma herança, abandonam seus escritórios para levar uma vida retirada, no campo, onde estudam e põem em prática as mais diversas disciplina - agricultura, astronomia, medicina, filosofia, sempre com resultados frustantes. Na figura dos dois estudiosos, mas atrapalhados escreventes, Flaubert satiriza a fé cega no conhecimento livresco e no progresso científico.
Realmente, não é fácil resolver os problemas da humanidade. É muito complexo a incompatibilidade do gênero humano. Penetrar na natureza do ser humano, não é coisa fácil. A máquina do cérebro humano ainda é um oceano impenetrável.
Essa é uma contradição humana que já foi considerada pelo dramaturgo inglês William Shakespeare quando disse: "Se fosse tão fácil fazer o que se fala, as capelas seriam igrejas e as choupanas seriam palácios".
Com toda contradição humana, devemos acreditar e ter esperança no lado bom da pontencialidade da raça humana.
Apostar no que tem de bom na ciência e na tecnologia para a riqueza social, política, econômica, cultural e religiosa.
Ter em mente o colossal pensamento do Papa Peregrino e da Paz, João Paulo II: "O desejo mais vivo que sai de meu coração e que os erros do passado não se repitam no futuro". (6).
Esse pensamento desperta em cada um de nós, a consciência de trabalharmos pela dignidade da pessoa humana e promover o bem comum com justiça e paz para que não haja espaço na sociedade para as atrocidades.
O nosso projeto de qualidade de vida tem como fundamento a esperança em Deus. Não desprezando todo conhecimento humano, é claro!
Dizia o ínclito arcebispo de Recife e Olinda, Dom Helder Câmara: "Esperança é crer na aventura do amor, jogar nos homens, pular no escuro confiando em Deus".
"O Homem tem necessidade de Deus; do contrário, fica privado de esperança", escreve o Papa Bento XVI. (7).


CONCLUSÃO

Não resta dúvida, o conhecimento científico e tecnológico é muito relevante para os dias atuais e para o futuro da humanidade.
Hoje é impossível viver sem a ressonância magnética e sem os aparelhos eletrônicos. Como se diz: "Não existe gente feia", pura verdade para as clínicas de cirurgia plásticas. Beleza e auto-estima andam juntas, porém com equanimidade.
Ter acesso a toda máquina com sabedoria é uma grande vantagem que o possuidor tem sobre os demais. Não para excluir e jamais destruir os outros. Ao contrário, quem tem a posse dessa ferramenta deve ajudar de maneira radical o seu próximo a ser incluso no meio social com as mesmas vantagens e oportunidade. Pra isso serve o conhecimento técnico-científico: construir uma sociedade mais justa e fraterna. Para tudo isso, é fundamental o governo fazer a sua parte.
A revolução genômica e da informação, são peças importantíssimas na era pós-moderna para fazer do mundo globalizado um lar onde haja pão e amor para todos.

Pe. Inácio José do Vale
Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Professor de História da Igreja
Faculdade de Teologia de Volta redonda
e-mail: pe.inaciojose@hotmail.com

Referências

(1) Valor, sexta-feira e fim de semana, 18,19 e 20/01/2008, pp.9 e 10.

(2) Veja, 01/09/1999, p.11.

(3) O Globo, 30/03/2006, p.33.

(4) Jornal do Brasil, 14/04/2007, p.6.

(5) Valor, sexta-feira, fim de semana, 21 a 25/12/2007, p.26.

(6) João Paulo II, em Discurso na Chegada à Ucrânia, sua 94º Viagem Internacional, sobre a Reconstrução da Identidade Cultural do País.

(7) Carta Encíclica do Santo Padre Bento XVI, Spe Salvi, nº 23.