
Santo Inácio foi o segundo bispo, depois de São Pedro Apóstolo,
na Sé de Antioquia. Condenado a ser lançado às feras
no Coleseu de Roma, empreendeu a longa viagem que havia de torná-lo
o exemplo dos mártires.
Escreveu sete cartas que são um precioso testemunho da santíssima
fé cristã nos últimos anos do século I. A carta
à Igreja de Roma, sobretudo, ficou como,um modelo para todos os mártires.
Sabendo que se fariam tentativas de salva-lo da morte, escrevia: "Pelo
que me toca, escrevo a todas as igrejas, e a todos encareço que estou
disposto a morrer de boa vontade por Deus, com tal que não o impeçais.
Eu vos suplico: não mostreis comigo uma caridade importuna. Permiti-me
ser pasto das feras, pelas quais me é possível alcançar
a Deus. Trigo sou de Deus, e pelos dentes dos leões devo ser moído,
a fim de ser apresentado como pão limpo a Cristo. Excitai antes às
feras, para que se convertam em meu sepulcro e não deixem rasto de
meu corpo... então serei verdadeiro discípulo de Jesus, Cristo...".
Em 20 de dezembro de 107 cumpriram-se os desejos de Santo Inácio.
Pela sua fé, amor e obediência a Cristo e pelo seu heroísmo,
só podem ter saído do seu coração essa exortativa
frase: "É preciso não só levar o nome de Cristo,
mas ser de fato".
Disse Jesus Cristo: "Este é o meu mandamento: ama-vos uns aos
outros como eu voa amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá
a vida por seus amigos. Vós sois meus amigos se praticais o que vos
mando" (Jo 15,12-14). Este é o maior ensinamento de Cristo para
seus seguidores. As doutrinas de Jesus de Nazaré afetavam todos os
aspectos de suas vidas, os discípulos de Jesus Cristo inicialmente
se referiam à sua comunidade de como o "Caminho" (Atos 9,2).
No decorrer da proclamação da palavra de Cristo, em Antioquia,
Capital da província romana da Síria, terceira cidade do Império
Romano depois de Roma e Alexandria. Os discípulos de Jesus Cristo,
foram chamados pela primeira vez de "cristãos" (Atos 11,26).
Isto é, partidários ou sectários de Cristo (grego Christós,
forma popular Chrestós). Ao criarem esta alcunha, os gentios de Antioquia
tomaram o título de "Cristo" (Ungindo, Messias) por um nome
próprio. Daí cristão, cristianismo ou Religião
Cristã.
Esse novo nome adotado pelos discípulos mostrava que eles acreditavam
em Jesus como sendo o Filho de Deus, aquele que foi enviado para fazer a vontade
do Pai e pregar o evangelho e realizar o projeto do Reino de Deus. Essa verdade
revelada levou-os a praticar um comportamento de vida totalmente diferente
dos judeus e dos pagãos.
Os divinos ensinamentos do Cristo de Deus (Lc 9,20), motivaram seus discípulos
a seguir seus mandamentos que envolviam evitar toda forma de injustiças,
corrupção, depravação moral e coisas semelhantes.
O que é Ser Cristão?
Ser cristão é acreditar que Jesus Cristo é o filho
do Deus vivo (Mt 16,13-16), é Deus (Jo 10,30), é o Salvador
(Lc 1,47;19,10) e viver por amor seus ensinamentos.
Ser cristão é seguir as Bem-Aventuranças (Mt 5,1-12),
ser o sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-.14), é amar os inimigos
(Mt 5,44), é ser santo (Mt 5,48), é servir a Deus e não
ao materialismo (Mt 6,24), é ter palavra, ser sincero de coração
(Mt 5,37; 7,21-23), é ser simples e prudente (Mt 10,16), é ser
fermento na massa (Mt 13,33), é ser vinho novo em odres novos (Mt 9,17),
é ser uma nova criatura (II Cor 5 ,17), é ser um estudioso da
palavra de Deus (Mt 22,29; Jo 5, 39). Dizia São Jerônimo (c.
340-420): "Ignorar as Escrituras Sagradas é ignorar a Cristo".
Ser cristão é ser evangelistas e missionários da Boa
Nova de salvação. É obedecer a ordem de Cristo: "Ide,
portanto, e fazei que toda as nações se tornem discípulos,
batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as
a observar tudo quando vos ordenei (Mt 28,19.20). Ide por todo o mundo, proclamai
o Evangelho a toda criatura (Mc 16,15). O egregio professor da Universidade
de Sorbonne em Paris, Jean Bernardi fez a seguinte reflexão: "Os
cristãos deviam sair e falar em toda a parte e a todos. Nas estradas
e nas cidades, nas praças públicas e nos lares. Bem-vindos ou
não bem-vindos.A pobres e a ricos sobrecarregados com seus bens...
"Eles tinham de viajar pelas estradas, embarcar em navios e ir até
os confins de terra".
Ser cristão é ter a responsabilidade de não pregar só
com as palavras e sim com o seu exemplar testemunho de vida. Exclamava o renomado
pregador Santo Antônio de Pádua (1195-1231): " Cessem as
palavras, falem as obras".
Os verdadeiros cristãos praticam os ensinamentos do seu Divino Mestre.
"Se compreenderdes isso e o praticardes, felizes sereis" (Jo 13,17).
A Moral Cristã
O ilustre historiador E. W. Barnes em seu livro The Rise of Christianity
(A Ascensão do Cristianismo), escreve: "Nos seus primeiros documentos
abalizados, o movimento cristão é representado como essencialmente
moral e acatador da lei. Seus membros desejavam ser bons cidadãos e
súditos leais. Evitavam as falhas e os vícios do paganismo.
Na vida particular, procuravam ser pacíficos e amigos fidedignos. Eram
ensinados a serem sóbrios diligentes e a levar uma vida limpa. No meio
da corrupção e da licenciosidade prevalecentes, quando leais
aos seus princípios, eles eram honestos e verazes. Seus padrões
sexuais eram elevados: o vínculo marital era respeitado e a vida familiar
era pura". Essas eram algumas qualidades que identificavam a vida dos
primeiros cristãos.
A historiadora Elaine Pagels afirma: à medida que o movimento cristão
surgia no império Romano, ele desafiava também os conversos
pagãos a mudar as suas atitudes e o seu comportamento. Muitos pagãos
que, por formação, encararam o casamento essencialmente como
arranjo social e econômico, as relações homossexuais como
componente normal da educação masculina, a prostituição,
tanto masculina como feminina, como algo comum e legal, e o divórcio,
o aborto, a contracepção e o abandono (levando à morte)
de bebês indesejados como medidas práticas, abraçaram,
para espanto de suas famílias a mensagem cristã, que se opunha
a essas práticas".
Devido a vida santa dos discípulos de Jesus Cristo e a pregação
cristã contra todo tipo de pecado que dominava a sociedade, os cristãos
eram perseguidos e martirizados. Vociferava o advogado e grande apologista
da fé cristã Tertuliano (C. 160-220): "Nunca houve entre
os cristãos um revoltado, um conspirador, um assassino. Nós
nos multiplicamos quando nos ceifam". "Sanguis Martyrum est semen
Christianorum", (o sangue dos mátires é a semente da Igreja).
Escreve São Paulo Apóstolo: "Todos os que quiserem viver
com piedade em Cristo Jesus serão perseguidos (II Tm 3,12).
Conclusão
A nossa inteligência iluminada pela fé, temos razões suficientes
para seguir Jesus de Nazaré, o maior homem que já existiu na
face da terra.
O escritor francês Ernest Renan fez a seguinte afirmação:
"Na área religiosa, Jesus é a figura mais genial que jamais
viveu. Seu brilho é de natureza eterna e seu reinado jamais acaba.
Ele é único em qualquer sentido e não pode ser comparado
a ninguém. Sem Cristo não se entende a história".
Sem Cristo não teríamos o Natal, Domingo de Ramos, Semana Santa,
Domingo de Páscoa, Salvação e o mundo estaria envolto
em trevas sem a divisão da história, antes e depois de Cristo.
A Sagrada Escritura nos ensina que Cristo é maior que tudo e todos.
Só na carta aos hebreus encontramos as seguintes afirmações:
" Jesus é maior que os anjos (Hb 1,1-4).
" Jesus é maior que ao sacerdócio de Arão (b 4,14-16;
7,20-28).
" Jesus é maior que as revelações do Antigo Testamento
(Hb 7,1-3; 8,1-13).
" Jesus é maior que todos os santuários e sacrifícios
do Antigo Testamento (Hb 9.1; 1-25; 10,1-18).
" Jesus é o Autor e Consumador da nossa fé (Hb 12,1-3).
O dramaturgo suíço Friedrich Dürrenmatt reconhecem sua
obra "Os Físicos": "Quando deixei de temê-lo,
minha sabedoria destruiu minha riqueza". Mas quem tem a Jesus é
possuidor de toda a riqueza: "porque, e tudo, fostes enriquecidos nele".
(I Cor 1,5).
Quem é discípulo de Jesus Cristo é detentor da sabedoria
de Deus (I Cor. 1.24) e de todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento
(Cl 2,1-3).
Ser cristão é um grande milagre da graça de Deus e a
firmeza da nossa fé em Cristo (Cl 2,5).
Pe. Inácio José do Vale
Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Professor de História da igreja
Faculdade de teologia de Volta Redonda
Email: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com
Bibliografia
Cechinato, Luiz. Os vinte séculos de caminhada da Igreja, Petropolis: Vozes, 1996.
Cairns. Earle E. O Cristianismo através dos séculos: uma história da Igreja Cristã, São Paulo: Vida Nova, 1995.
Aquino, Felipe. Porque sou católico, Lorena: Cléofas, 2002.
Lieth, Norbert. Conheça Jesus: único, incomparável, maravilhoso,
Porto Alegre: Atual, 2002.
Palacín, S.J. Carlos e Pisanechi, Nilo, Santo nosso de cada dia, rogai
por nós! Santoral Popular, São Paulo: Loyola, 1991.