

O Dr. Pierre Barbet, cirurgião francês, estudou durante vinte
e cinco anos a paixão de Cristo , á luz do Santo Sudário
de Turim; após seus estudos escreveu um impressionante livro, o título
acima (Ed. Loyola), onde narrou os horrores que o Senhor sofreu na Cruz. Em
seguida colocou um resumo dos seus escritos, pois relata bem o que se passava
com Jesus durante as suas Sete Palavras.
“Sou um cirurgião, e dou aulas há algum tempo.
Por treze anos vivi em companhia de cadáveres e durante a minha carreira
estudei anatomia a fundo. Posso portanto escrever sem presunção
a respeito de morte. Jesus entrou em agonia no Getsêmani e seu suor
tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra .
O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas,
e o faz com a decisão de um clínico. O suar sangue, ou “hematidrose”,
é um fenômeno raríssimo. É produzido em condições
excepcionais: para provocá-lo é necessário fraqueza física,
acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção,
por um grande medo. O terror, o susto, a angústia terrível de
sentir-se carregando todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus.
Tal tensão extrema produziu o rompimento das finíssimas veias
capilares que estão sob as glândulas sudoríparas; o sangue
se mistura ao suor e se concentra sobre a pele, e então escorre por
todo o corpo até a terra.
Conhecemos a farsa do processo preparado pelo Sinédrio hebraico, o
envio de Jesus a Pilatos e o desempate entre o procurador romano e Herodes.
Pilatos cede, e então ordena a flagelação de Jesus. Os
soldados despojam Jesus e o prendem pelo pulso a uma coluna do pátio.
A flagelação se efetua com tiras de couro múltiplas sobre
as quais são fixadas bolinhas de chumbo e de pequenos ossos.
Os carrascos devem ter sido dois, um de cada lado, e de diferente estatura.
Golpeian com chibatas a pele, já alterada por milhões de microscópicas
hemorragias do suor de sangue. A pele se dilacera e rompe; o sangue espirra.
A cada golpe Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem;
um suor frio lhe impregna a fronte, a cabeça gira em uma vertigem de
náusea, calafrios lhe correm ao longo das costas. Se não estivesse
preso no alto pelos pulsos, cairia em uma poça de sangue.
Depois o escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais
duro que os de acácia, os algozes entrelaçam uma espécie
de capacete e o aplicam sobre a cabeça. Os espinhos penetram no couro
cabeludo fazendo-o sangrar (os cirurgiões sabem o quanto sangra o couro
cabeludo). Pilatos, depois de ter mostrado aquele homem dilacerado a multidão
feroz, entrega-O para ser crucificado. Colocam sobre os ombros de Jesus o
grande braço horizontal da Cruz; pesa uns ciquenta quilos... A estaca
vertical já esta plantada sobre o Calvário.
Jesus caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno irregular,
cheias de pedregulhos. Os soldados os puxam com as cordas. O percurso é
de cerca de 600 metros; Jesus, fatigado arrasta um pé após o
outro, frequentemente cai sobre os joelhos e os ombros de Jesus estão
cobertos de chagas. Quando ele cai por terra, a viga lhe escapa, escorrega,
e lhe esfola o dorso. Sobre o Calvário tem inicio a crucificação.
Os carrascos despojam o condenado,a sua túnica está colada nas
chagas e tirá-la produz dor atroz. Quem já tirou uma atadura
de gaze de uma grande ferida sabe do que se trata. Cada fio de tecido adere
à carne viva; ao levarem a túnica, se laceram as terminações
nervosas postas em descoberto pelas chagas. Os carrascos dão um puxão
violento. Há um risco de toda aquela dor provocar síncope, mas
ainda não é o fim.
O sangue começa a escorrer; Jesus é deitado de costas; as suas
chagas se incrustam de pó e pedregulhos. Depositam-no sobre o braço
horizontal da cruz. Os algozes tomam as medidas. Com uma broca, é feito
um furo na madeira para facilitar a penetração dos pregos. Os
carrascos pegam um prego ( um longo prego pontudo e quadrado), apóiam-no
sobre o pulso de Jesus, com um golpe certeiro de martelo o plantam e o rebatem
sobre a madeira. Jesus deve ter contraído o rosto assustadoramente.
O nervo mediano foi lesado.
Pode-se imaginar aquilo que Jesus deve ter provado; uma dor lancinante, agudíssima,
que se fundiu pelos dedos, e espalhou-se pelos ombros, atingindo o cérebro.
A dor mais insuportável que um homem pode provar, ou seja, aquela produzida
pela lesão dos grandes troncos nervosos: provoca uma síncope
e faz perder a consciência. Em Jesus não. O nervo é destruído
só em parte: a lesão do tronco nervoso permanece na cruz, o
nervo se esticara fortemente como uma corda de violino esticada sobre a cravelha.
A cada solavanco, a cada movimento, vibrará despertando dores dilacerantes.
Um suplício que durará três horas.
O carrasco e seu ajudante empunham a extremidade da trava; elevam Jesus, colocando-a
primeiro sentado e depois em pé; consequentemente fazendo-o tombar
para trás, o encostam na estaca vertical. Os ombros da vitima esfregam
dolorosamente sobre a madeira áspera. As pontas cortantes da grande
coroa de espinhos penetram o crânio. A cabeça de Jesus inclina-se
para frente, uma vez que diâmetro da coroa o impede de apoiar-se na
madeira.
Cada vez que o mártir levanta a cabeça, recomeçam pontadas
agudas de dor.
Pregam-lhe os pés. Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu nada
desde a tarde anterior. Seu corpo é uma máscara de sangue.a
boca semi-aberta e o lábio inferior começa a pender.
A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede...Um
soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida ácida,
em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz. Um estranho
fenômeno se produz no corpo de Jesus. Os músculos dos braços
se enrijecem em uma contração que vai se acentuando:os deltóides,
os bíceps esticados e levantados, os dedos, se curvam. É como
acontece a alguém ferido de tétano. É isto que os médicos
chamam tetania, quando os sintomas se generalizam: os músculos do abdômen
se enrijecem em ondas imóveis, em seguida aqueles entre as costelas,
os do pescoço, e os respiratórios.
A respiração se faz pouco a pouco mais curta. O ar entra com
um sibilo, mas não consegue mais sair. Jesus respira com o ápice
dos pulmões. Tem sede de ar: como um asmático em plena crise,
seu rosto pálido pouco a pouco se torna vermelho, depois transforma
num violeta purpúreo e enfim em cianítico. Jesus é envolvido
pela asfixia. Os pulmões cheios de ar não podem mais se esvaziar.
A fronte esta impregnada de suor, os olhos saem fora de órbita.
Mas o que acontece? Lentamente com um esforço sobre-humano, Jesus toma
um ponto de apoio sobre os pregos dos pés. Esforça-se a pequenos
golpes, se eleva aliviando a tração dos braços. Os músculos
do tórax se distendem. A respiração se torna mais ampla
e profunda, os pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial.
Por que este esforço? Porque Jesus quer falar: “Pai, perdoa-lhes
porque não sabem o que fazem.”
Logo em seguida o corpo começa afrouxar-se de novo, e a asfixia recomeça.
Foram transmitidas sete frases pronunciadas por ele na cruz: cada vez que
quer falar, deverá elevar tendo como apoio o prego dos pés.
Inimaginável!
Atraídas pelo sangue que ainda escorre e pelo coagulado, enxames de
moscas zunem ao redor de seu corpo, mas ele não pode enxotá-las.
Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente a temperatura
diminui.
Logo serão três da tarde, depois de uma tortura que dura três
horas, todas as suas dores, a sede, as cãibras, a asfixia, o latejar
dos nervos mediano lhe arrancam um lamento: “Meu Deus, meu Deus, porque
me abandonastes?”
Jesus grita: “tudo está consumado!”. Em seguida num grande
brado diz:
“Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.”
E morre...Em meu lugar e no seu.
Fonte: AS SETE PALAVRAS DE CRISTO NA CRUZ - Comprar
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Prof. Felipe Aquino
Editora cléofas