A
Salvação veio da Cruz
O Cristianismo autêntico e verdadeiro tem como foco Cristo Ressuscitado.
Claro que não devemos, nem podemos esquecer que para chegar à
ressurreição Cristo sofreu e morreu pregado em uma cruz.
O cristianismo ligth, infelizmente pregado por algumas religiões protestantes
e alguns católicos, não aceita o Cristo crucificado. Acreditam
na cruz, vê-se em algumas igrejas protestantes a presença dela,
mas sempre sem o Cristo.
Isto acontece para dar a impressão que Jesus irá facilitar a
vida de todos. Acontece para que as pessoas acreditem que ser cristão
é fácil e cômodo. Alguns pensam que por aceitar Jesus
como mestre, está automaticamente justificado e salvo, não importando
que atitudes tomem durante a vida toda.
Nós estamos passando por um "tempo em que os homens já
não suportam a sã doutrina da salvação. Levados
pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades,
ajustarão mestres para si." (II Tm 4,3). Muitos, inclusive católicos,
não estão mais suportando a Doutrina de Cristo e a abdicação
que Ele teve.
Não são poucos, infelizmente também católicos,
que acreditam que pregar o evangelho, falar sobre as coisas de Deus e seus
Santos, bem como as tradições da Igreja tornou-se algo maçante,
enfadonho, repetitivo e retrógrado. Acreditam, em nome de uma liberdade
Diabólica, que não podemos tomar certas atitudes, vistas como
"preconceituosas" por defender a vida, a verdadeira liberdade, defender
a Cristo.
Vemos atualmente, mulheres que querem posar nuas com terços nas mãos.
Filmes pornográficos que, segundo estudos, sempre exibem crucifixos,
terços ou objetos santos.
É tão evidente o desrespeito do mundo, que recentemente, na
Itália, um museu expôs uma "obra de arte" onde havia
uma rã, crucificada, segundo o "artista", foi feito assim
para demonstrar a hipocrisia da sociedade que aparentemente é algo,
mas por dentro está "corrompida". Claro que o Santo Padre
Bento XVI, reclamou formalmente.
Percebam a gravidade da escultura e o desrespeito pelo sofrimento e sacrifício
de Jesus.
É simplesmente menosprezar a fé de todos, nós, católicos.
Nós devemos reconhecer e defender este sacrifício, sem vergonha
e temores. Devemos ter nosso coração Inflamado de Amor por Jesus
e lembrar do grande sacrifício que Ele passou, lembrando que não
podemos ser iguais no mundo, devemos ser diferentes, sem temores ou restrições.
A cruz, expressão máxima do amor de Jesus por nós é
repleta de significados. Desde a paixão no Horto das Oliveiras até
a morte na cruz, Cristo demonstrou e ensinou, sem nem mesmo demonstrar seu
sofrimento.
Segundo estudiosos do sudário de Turim, a pessoa só soa sangue
quando está sofrendo de uma profunda vergonha, unida a um grande desespero
e sentindo-se extremamente humilhada, assim, os pequenos vasos que existem
abaixo das glândulas sudoríparas se rompem derramando sangue
sobre o suor, produzindo o suor de sangue.
Então, durante a paixão, Cristo, sentindo o peso dos pecados
de toda a humanidade, do tempo passado, do presente e futuro sentiu-Se verdadeiramente
humilhado e envergonhado...
Também no sudário pode-se ver que o Senhor não foi crucificado
com pregos nas mãos, e sim nos pulsos, pois a mão não
agüentaria e se romperia. E o que isto significa? Isto nos diz que, ao
ser transpassado pelos pregos, estes tocaram o tendão, sem tê-lo
rompido por completo. Quando o tendão se rompe a dor acaba já
da maneira que foi ele ficou sendo pressionado pelos pregos e doía
constantemente.
A dor aumentava sempre que Cristo, ao se esforçar para falar, tinha
que suportar o peso do corpo sobre os pregos dos pés e mãos.
Todas as vezes que Nossos Senhor queria falar alguma coisa Ele deveria erguer-se
para inflar os pulmões e dizer suas frases, suportando uma dor constante,
especialmente nos braços, onde os tendões eram exigidos e esmagados
pelos pregos.
Então, Jesus, nu, pregado em uma cruz, uma chaga viva - seu corpo estava
todo machucado pelas chicotadas - ficou pregado das 12 às 15 horas,
sofrendo dores terríveis, sem beber nem comer. O local, usado sempre
para estas mortes, ficava repleto de animais que eram atraídos pelo
odor do sangue e de carne morta.
Nestas condições, imaginem a riqueza das últimas 7 frases
que Cristo proferiu da cruz. Ele não falou ou desabafou simplesmente.
Seu esforço era muito grande para simplesmente falar. Suas palavras
foram repletas de significados e extremamente importantes.
Na ordem em que foram ditas são:
"Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem. (Lc. 23,24)".
Imaginem só, após ser humilhado, espancado, ter sua cabeça
rasgada por espinhos, estar nu e ser suspenso em uma cruz qual seria sua,
isto mesmo, a sua primeira impressão? Você sentiria pena de si
mesmo ou se preocuparia com os outros?
Diante do sofrimento extremo, Cristo, desprezando completamente a dor, pensou
primeiro em nós. Ele primeiro desejou, solicitou, suplicou por nós
o seu perdão! Quanta pena você sentiria de você mesmo?
Espelhe-se no sofrimento do Cristo, um sofrimento Santo, despojado e não
apegado a própria auto-compaixão.
"Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso."
(Lc 23,43). No momento da crucifixão, existiam no Calvário
mais duas cruzes. Uma cruz que recusava a Salvação e o Salvador,
além de tentar humilhá-lo. A outra cruz, a cruz do arrependimento.
Quanta fé teve aquele bom ladrão! Os discípulos estavam
com medo, escondidos, acreditando que estava tudo acabado. O ladrão,
que padecia da cruz com Cristo, manteve a fé e pediu o perdão.
E é claro que, sem pensar em Si, Cristo o perdoou.
Em nossa vida temos também esta escolha. Devemos seguir a Cristo e
pedir seu perdão, reconhecendo-O como mestre ou recusá-lo. Não
existe meio termo.
"Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo:
Eis aí tua mãe (Jo 19, 26-27)". Nesta frase, Jesus
nos confirma que Maria, sua mãe não teve mais filhos. Por este
motivo precisou deixá-la com um discípulo. Mas o mais importante
é o fato de nos ter dado uma verdadeira intercessora, que pede mesmo
por aqueles que não acreditam em sua plena santidade.
Nós católicos somos felizes e não seremos desamparados
em momento algum quando recorremos por tão serena, singela e santa
proteção. Se não fosse por Maria, a salvação
não teria entrado no mundo e se não for por sua interseção
nós não conseguiríamos entrar no Céu.
"Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" (Mc 15,34).
Jesus, sofrendo pelo pecado, sentindo o peso de todos os pecados, de todos
os tempos, de todas as pessoas não chama mais Seu Pai de Pai, mas trata-O
por Deus. Isto acontece pois na condição de homem assumindo
a humanidade sente-se abandonado por Deus, como todo pecador acaba sentido-se.
Ele fala desta forma para demonstrar que os homens se afastam de Deus por
pecar.
Os pecados são os verdadeiros motivos pelos quais nós não
conseguimos sentir a presença de Deus em nossa vida.
"Tenho sede." (Jo 19,28). Neste momento um soldado oferece
a Ele vinagre. Jesus não disse que queria beber água ou outro
líquido, mesmos com os lábios ressecados e provavelmente com
a língua áspera. Jesus tinha sede de Deus, sede de Céu.
Nós quando, humanamente, tememos morrer em uma atitude egoísta
estamos minimizando o Sacrifício de Jesus. Ter sede de Céu é
a condição maior para sermos verdadeiramente cristãos.
Ter sede de Céu significa consumir-se procurando alcançar esta
meta. Não é antecipar sua própria morte mas sim trabalhar
em vida para receber o céu.
Onde está atualmente a sua sede. Você sente sede de Céu,
de Deus ou de pecar. Você separa quanto tempo para rezar? Quanto tempo
para ler a Bíblia? Quanto tempo para procurar o Céu? E para
as outras coisas? Quanto tempo você perde assistindo as novelas, aos
filmes, aos programas depravados e imorais? Ou quem sabe, lendo ou vendo um
jornal? Você gasta mais tempo com o que? Qual é sua maior sede?
Qual deve ser sua maior sede?
Não estou dizendo para sermos alheios a realidade nos fechando, mas
sendo consciente que não somos do mundo, mas vivemos nele. Somos na
verdade filhos do Céu!
"Tudo está consumado."(Jo 19,30). Não se tratava
de sua morte, mas sim das profecias feitas sobre Ele. Jesus quis dizer que
não havia mais nada que pudesse ser feito na antiga aliança.
Ele disse que a partir daquele momento somente existiria a Vida Nova, a Nova
Liberdade. A Liberdade que Ele acabara de conquistar para todos nós.
Reconhecer que, somente em Jesus somos verdadeiramente livres é reconhecer
que Jesus Cristo é o único e real caminho para o Céu.
Tudo que era velho, todas as antigas tradições estavam encerradas
e com Ele surgia uma nova Vida uma nova, única e Verdadeira Igreja
que ele estava confiando aos apóstolos, a Pedro, primeiro papa.
"Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito."(Lc
23,46). Jesus fez esta afirmação para poder finalmente expirar
e morrer. Isto aconteceu pois Ele não poderia ser assassinado. Em suas
próprias palavras "O Pai me ama, porque dou a minha vida para
a retomar. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho
o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir. Tal é a ordem
que recebi de meu Pai."(Jo 10, 17-18).
Até aquele momento Ele não iria morrer, afinal ninguém
teria autoridade sobre a vida deste Homem-Deus. Que foi, em todos os aspectos,
menos no pecado, verdadeiro homem e verdadeiro Deus.
Ao entregar sua vida, Jesus desce a morada dos mortos para resgatar a todos
os seus que lá estavam. Todos os profetas e patriarcas além
de todas as pessoas tementes a Deus que haviam morrido.
Foi através desta morte que Cristo resgatou Adão, por quem entrou
o pecado ao mundo e todos os pecadores arrependidos. Foi através desta
morte que ele levou a todos, inclusive nós, quando arrependidos, para
o céu.
Cristo tinha de morrer, sabia que morreria e aceitou o julgo, carregou nossos
pecados e morreu pregado em uma Cruz, para que pudéssemos, juntos com
Ele ressuscitar.
Então, não devemos ter vergonha ou medo, não devemos
temer ao mundo, devemos sim ter sede de Deus, reconhecer seu Sacrifício
Libertador e lembrar que tamanho sofrimento nunca foi e nunca será
igualado por ninguém.
Querer uma cruz sem Cristo, viver um cristianismo light é o mesmo que
dizer que todo sacrifício de Jesus foi inútil ou pequeno. Imaginar
que Jesus vai deixar você em um estado de vida inerte, onde tudo acontece
com facilidade, onde seus problemas acabam, basta você "aceitar
Jesus" é o mesmo que dizer que Ele sofreu, mas não não
sofreremos. É dizer que somos superiores a Ele, que nós, mesmo
pecadores não padeceremos.
Reconhecer a ação libertadora do crucificado e seu sofrimento
nos lembra de sermos mais humanos, humildes e perseverantes em nossa fé.
Nos lembra que ele poderia ordenar que todos os males acabacem, mas não
o fez. Ele poderia ordenar que todos seus algozes morressem, mas não
o fez. E não o fez porque sabia que somente através do sacrifício
Dele seriamos libertos. Somente nos espelhando em Seu sacrifício aprenderiamos
a Amar a Deus e uns aos outros.
Dizer "O Senhor é meu Pastor", quando tudo está fácil,
quando tudo dá certo é relativamente fácil. Aceitar a
Ação de Deus me nossa vida quando ela "tá boa"
é fácil. Dificil é aceitar que nós passaremos
por sofrimentos, mesmo sendo amados por Deus. Aceitar que nós temos
de ser humildes e nos confessarmos para reconcer que somos pecadores isto
é difícil. Viver um Catolicismo ligh, um cristianismo ligth
é fácil, difícil é viver o Verdadeiro Cristianismo,
aquele que não promete facilidades mas promete a Salvação.
Vamos sempre desejar o céu com todas as nossas forças e assim,
verdadeiramente, procurar honrar a Jesus e seu supremo sacrifício,
sem mascaras ou disfarces aceitar que Cristo morreu, sim, humilhado em uma
cruz.
Prof. Rubens Vicente Monteiro
rubens@pelafe.net
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