“Conversão e Pregação com a vida!”

Terminado o período reflexivo da quaresma, somos todos convidados a receber Cristo, em nossas vidas, como o povo fez, exaltando, louvando e admirando, ao ponto de incomodar aqueles que estão em nossa volta. Isto mesmo, calarmos frente à presença de Cristo transformadora em nossa vida, é sermos mais frios e sem vida que as pedras: “Se eles se calarem, as pedras gritarão” (Lc. 19, 40).
Toda semana, participamos da Santa Missa e recebemos, não em nossa cidade, mas em nossos corações o Cristo Libertador, o Cristo Salvador, e o que fazemos? Gritamos Sua presença com nossa vida? Será que vivemos conforme deveríamos? Mudamos nossa forma de pensar e de agir, para ensinar como quem tem autoridade? (Mt 7,29) Ou será que continuaremos vivendo a mediocridade do mundo, desejando e pensando apenas em coisas do mundo? Muitos defendem, inclusive sacerdotes, que devemos viver com os pés no chão, que devemos permanecer com o pensamento no mundo e não Céu, aceitando a realidade e nossa fragilidade.
Nós todos, certamente estamos no mundo mas Ele mesmo já disse: “Eles não são do mundo, como Eu não sou do mundo” (Jo 17,14) é por isto que nosso pensamento deve ser sempre no Céu, com ações sempre voltadas ao Céu, mas vivendo infelizmente na terra onde somos apenas peregrinos.
E porque vivemos pensando assim? Porque estamos sempre pensando em nossas comodidades, facilidades, dinheiro, sexo, políticas, amizades e medos? Porque nos preocupamos com tudo isto ao invés de nos preocuparmos com nossa conduta reta e íntegra, mesmo que seja difícil?
Porque aqui, neste mundo, estamos em constante batalha contra o inimigo de Deus e este sempre nos envolve em suas artimanhas, e nós, desatentos acabamos cedendo a estes pensamentos e nos afastamos do que mais importa o Céu.
O Brasil vivenciou com espanto neste ano (2011) uma tragédia, que antes só ocorria em outros países: um assassino entrou em uma escola matou 12 crianças. É um crime terrível, eram apenas crianças inocentes... Ficamos verdadeiramente consternados e digo isto com certa certeza, já que também atuo em escolas, como professor.
Mas, me espanta o fato de sermos hoje, uma nação cristã, onde o assassinato é aceito, e eleito, pela maior parte da população em forma de aborto, pois afinal “se nós aceitamos que uma mãe pode matar até mesmo seu próprio filho, como é que podemos dizer as outras pessoas para não se matarem?” (Madre Tereza de Calcuta).
Deveríamos ficar tão chocados com o aborto sendo aceito como política pública, como ficamos com este assassinato. E porque não ficamos? Por que o diabo coloca em nossos corações que a criança no ventre não é ainda um ser humano que necessita de respeito, e coloca no coração das mães que a decisão sobre a vida e a morte é delas e não de Deus...
Passado este período de quaresma, onde fomos chamados a refletir, devemos pensar do que está cheio nosso coração? O que temos tirado dele? O que queremos tirar dele? Vida, liberdade, santidade e compromisso com o Céu, ou apenas mais falta de amor, mais rancor, mais mágoas e interesses? “Quem é bom, tira coisas boas do tesouro do seu coração, que é bom; mas quem é mau, tira coisas más do seu tesouro, que é mau.” (Lc 6, 45).
O que temos tirado de nossos corações? Estamos sendo verdadeiros defensores da vida ou apenas defendemos nossos interesses, políticos e sociais? Somos verdadeiramente bons ou maus?
Passamos a quaresma e agora somos convidados a acompanhar o último sofrimento de Cristo por nós, o último e supremo sofrimento físico que Ele teve que passar por todos nós, e devemos estar abertos a esta realidade. Pois apenas nós que somos católicos vivemos tão intensamente este sofrimento, pois reconhecemos que não haveria salvação sem a passagem pela cruz. Porque então, é tão difícil, aceitar nossos próprios fardos?
Qual é a vida que esperamos, uma vida viciada, forjada pelo mundo, ou uma vida abundante querida por Deus? Pensar apenas em nossa realidade imediata é pensar pequeno. Pensar apenas em comodidades é pensar no mundo. Nós não somos filhos do mundo, mas somos filhos de Deus. Ele veio “para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10).
Somos todos convidados a conversão diária, a conversão constante, incomodando sem medo algum, para que aqueles que são filhos do mundo fiquem incomodados e peçam ao Senhor: “repreende seus discípulos”( Lc 19,39). Devemos pregar constantemente com nossa vida, palavras e ações, onde quer que estejamos e para quem quer que seja.
A Paz de Jesus e o Amor de Maria a todos
São Miguel arcanjo, defendei-nos neste combate

Professor Rubens Vicente Monteiro
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