Pe. Luís Claudio
Diocese de Itaguaí
Angra dos Reis - RJ
padreluisclaudio@pelafe.net
Amados filhos e filhas,
queridos irmãos e irmãs também quem nos acompanha pela
rádio, nós celebramos o terceiro domingo do tempo comum, tempo
verde, no domingo passado nós lembrávamos, do início
da missão de Jesus dentro do Evangelho de São João, aquele
evangelho muito significativo para nós, onde Jesus lá transformava
dentro de uma festa de casamento a água em vinho.
Estamos nesse início do ano, início do tempo litúrgico,
e ainda estamos naquilo que chamamos o tempo desta manifestação
de Jesus. Começamos hoje a ler, refletir e meditar o Evangelho de São
Lucas. O nosso Ano Litúrgico, este conjunto das celebrações
que dentro do novo ano, e que chamamos de ano litúrgico, como a presença
de Deus, do Cristo em nossa vida, ele é dividido vamos dizer assim
em três etapas, em três anos, que a liturgia chama, de ano A,
ano B e ano C, e nós estamos exatamente no ano C, em cada um desses
anos respectivamente nós vamos ver, de um modo mais insistente um dos
evangelistas, o evangelista que aparece no ano C o ano em que estamos, é
este que vamos começar a meditar hoje o Evangelho de São Lucas.
É interessante que o Evangelho de hoje está, podemos assim dividi-lo
em duas partes, uma primeira chamada O Prefácio, o que é O Prefácio?
Quando nós compramos um livro, antes do autor discursar ou desenvolver
suas idéias, bem no início do livro nós temos uma idéia
geral do que ele quer nos apresentar, e São Lucas vamos dizer assim
imitando os autores da época, ele não quis ser diferente, então
no início do seu Evangelho, isto não tem nem em Marcos, nem
em Mateus, tem também em São João, mas em Marcos, em
Mateus não existe isso, uma espécie de prefácio que no
Evangelho de São João vai ser chamado de prólogo, no
princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus,
e assim por diante. Em São Lucas este prefácio, dava a idéia
geral da sua obra, de seu evangelho, é interessante que ele vai dizer,
muitas pessoas escreveram, muitas pessoas contaram, fatos coisas que aconteceram
a respeito da nossa Salvação e eu resolvi reunir isto tudo de
um modo organizado para que todos possam ler e acreditar em Jesus e ele escreve
isto para um personagem misterioso que ele vai chamar de Teófilo, o
que significa Teófilo? Amigo de Deus, Teo = Deus e filos como amizade,
como amigo também pode ser traduzido por filho, mas vamos ficar com
esta tradução, amigo de Deus, mas São Lucas não
esta escrevendo para uma pessoa com o nome de Teófilo, ele está
escrevendo para todos aqueles que são amigos e amigas de Deus. Portanto
se você é amigo de Deus, você é um Teófilo,
quem aqui é amigo de Deus? Nós somos todos amigos de Deus, por
isto estamos aqui na celebração da Missa, da Eucaristia, é
um modo de encontrarmos com Aquele que nos ama, de estreitarmos a nossa amizade,
assim como temos o prazer de encontrar com um amigo, com aquele que gostamos,
de partilhar a vida com ele, de escutar dele também a sua vida, a sua
impressões. Acima de tudo, aqui nesta Missa, para estreitarmos está
amizade com Aquele que nos amou primeiro, e porque nos amou, nos chamou, e
estamos aqui para celebrar esta amizade com Deus. Então esta primeira
parte do Evangelho, este prefácio esta idéia geral, quando São
Lucas coloca de um modo bonito ele escreve para todos aqueles que são
amigos e amigas de Deus, de Jesus, podemos dizer assim também, então
ele vai pular lá para o capítulo 4, vai nos contar o iniciozinho
da missão de Jesus, quando temos Jesus entrando no templo, como nós
entramos aqui na Igreja, Jesus entrou lá na chamada sinagoga, Ele entra
lá e é determinante que no templo, no tempo de Jesus e algo
que refletia de tamanha discriminação, as mulheres não
podiam entrar de modo nenhum, tinham que ficar lá fora, além
disso, os homens não era qualquer um que podiam entrar não,
tinha que ser aqueles que entendiam das escrituras, eram estes que tinham
direito de entrar nas sinagogas os homens cultos aqueles estudados, só
aí você já percebe que muita gente tinha ficado de fora,
além deles quem mais poderia entrar nas sinagoga, aquelas pessoas que
de repente, entre aspas, não freqüentaram as faculdades, não
estudaram, mas que por dom de Deus tinha o Dom das palavras, de pregar, de
falar das escrituras, e de justamente de arrebanhar muita gente, e aí
é que entra quem? Jesus. Jesus não é homem das grandes
faculdades, mas Jesus tem, pelo Dom do Espírito o poder de falar, de
entender, e vamos nos lembrar de Jesus menino, quando se perde do pai e da
mãe vão dizer que Ele estava lá discursando com os doutores,
a sabedoria de Deus desde pequeno se manifestou na pessoa de Jesus.
E Jesus então entra na sinagoga como bom, e era sempre comum que alguém
fosse convidado para ler um dos trechos antigos das sagradas escrituras, então
Jesus se levanta com autoridade vai lá na frente no lugar preparado
e lê a passagem do livro do profeta Isaias, os livros naquela época
não era como nós temos hoje, páginas para lá e
páginas para cá, eram rolos e os estudiosos vão dizer
que o livro do profeta Isaias tinha mais ou menos quatro ou cinco metros,
e no meio daquela multidão todo Jesus achou, exatamente a passagem
do capitulo 61, e Ele vai lê o quê? "O Espírito do
Senhor esta sobre Mim, e Ele me consagrou ele me ungiu para uma missão"
e Jesus vai continuar esta leitura "para anunciar a boa nova dos podres
e libertar os cativos, e para anunciar o ano da Graça do Senhor"
até aí tudo bem Jesus não fez nada demais, só
no finalzinho da leitura que Jesus acrescenta uma frase, "hoje se cumpriu
à leitura que vocês acabaram de ouvir". Ai na sinagoga o
povo começa a ficar nervoso, como é que este homem que nem estudou
que nem sabe o que esta fazendo aqui dentro, como é que Ele vai dizer
que essa passagem da escritura se cumpre em sua vida. Hoje quem é o
ungido de Deus? É Cristo. Ele é o servo o sofredor lá
de Isaías que se manifesta como servo que vai dar a vida pelo seu Deus,
é o encontro dos irmãos e irmãs na sinagoga, o encontro
dos irmãos e irmãs no Templo é onde Jesus através
da palavra se manifesta como Salvador, como o Messias, como Ungido do Pai.
Amados filhos e filhas esta idéia da palavra do encontro com a palavra
de Deus, nós a temos também na primeira leitura lá no
antigo testamento no livro de Neemias, é um tempo de pós exílio.O
povo sofreu, padeceu no Egito e agora estão voltando para sua terra,
só que esta voltando com a auto-estima lá em baixo, tristes,
depressivos, difícil de acreditar que nos temos que reconstruir tudo,
reconstruir as casas, reconstruir o templo, reconstruir a dignidade de cada
homem, de cada um, é neste contexto que entra a palavra, é interessante
que o povo se reuniu ao redor, do quê? Da palavra. Lá estava
Neemias como chefe o governador daquele povo, mas esta o representante religioso
lá, sacerdotal, que é Esdras, ta lá e vai dizer, achei
muito interessante quando estava meditando para preparar alguma coisa para
dizer para vocês no Domingo, vai dizer lá que o sacerdote leu
as escritura, o povo todo reunido com entusiasmo, ele lê da aurora até
o meio dia. Isto é um desafio para nós.
Pois se o padre fala mais um pouco, uns olham para o relógio, como
quem diz isto não vai acabar não, outro começa a abrir
a boca quase engole a gente aqui na frente, para mostrar que está dando
sono, e tem um negócio mais complicado, o diabinho criado aí
que agente o carrega bem rentinho de nós, dentro do bolso, na cintura,
que tem um poder, poder danado de arrancar a pessoa de dentro da igreja, que
a gente diz assim alô! Que é o danado do celular. Eu vou confessar
um negocio para vocês,não tem decepção maior para
mim como Padre, quando alguém, alem de atender o celular ainda sai
da igreja, para conversar sei lá com quem lá fora, eu fico pensando
comigo mesmo, que valor tem a Palavra de Deus para este tipo de pessoa, qualquer
um que chama é mais importante que Deus, não deveria ser o contrário,
neste momento eu não quero saber de mais ninguém a não
ser do meu encontro com Deus, este deve ser o mais importante, quando eu estava
em Recife nas férias, tinha uma frase muito interessante que eu vou
pedir ao padre Gilberto para colocar em algum lugar por aqui, em algum lugar
ai em frente, Deus lhe chama, mas não pelo celular, por favor desliga
o celular. É algo complicado, que valor nós damos para a Palavra
de Deus, nós temos que ter gosto pela Palavra, nós nos deliciamos
com a Palavra de Deus, ou a Palavra de Deus é um peso pois quero pegar
minha hóstia daqui a pouco e correr para casa.
Amados filhos e filhas vamos ter mais amor pela Palavra de Deus, só
pode ser de fato verdadeiro cristão aquele que leva os outros de encontro
com o Cristo Palavra, é a mesa da Palavra que nos leva a mesa da Eucaristia,
já nos falava os padres antigos, a Eucaristia é justamente essa
junção, essa união destas duas mesas, não tem
sentido eu comungar o Cristo Hóstia, Pão, se eu não comunguei
o Cristo Palavra, pois é justamente a Palavra de Deus que nos sustenta,
e é assim lá quando nós escutávamos que o povo
além de escutar, depois que leu ali no qual estava escrito a palavra
o povo levantava e dizia amém e ajoelhava todo mundo junto e no final
o povo chora, chorava porque escutava. Chora muitas vezes porque escutando
a palavra pensamos como estou distante de vivenciar isto, com eu preciso caminhar
neste sentido como eu preciso crescer neste ou naquele mistério, que
de repente seja por isto que o povo de Neemias chorou, e é interessante
não é momento para choro, vocês vão para casa de
Vocês, comer uma carne gorda, vocês vão beber vinho doce,
e vocês vão comer e beber e vocês vão levar para
aqueles que não têm porque é dia de festa, é dia
consagrado ao Senhor e aí vem uma frase bonita que até hoje
conservamos no final da Missa: Alegria do Senhor seja a nossa Força.
É essa força que vocês têm que levar para casa,
levar para aqueles que não vieram, para a família, para os problemas
do dia a dia, para as dificuldades que vamos encontrando, nós temos
que nos alegrar no Senhor e que esta alegria seja minha força, eu não
quero que a tristeza seja a força, eu não quero que a depressão
seja a minha força, eu não quero que os problemas sejam a minha
força pois é e Alegria do Senhor que tem que ser a nossa força.
Alegria do Senhor que me faz vencer, que me faz lutar, que me faz, como dizia
Paulo ser mais do que vencedor.
Amados filhos e filhas acreditemos neste Cristo Palavra. Façamos o
nosso encontro com Ele, vamos abrir os nossos ouvidos, abrir as nossas mentes
abrir os nossos corações para que o Cristo possa se manifestar
como Messias, como Ungido, Aquele que veio oferecer para mim e para vós
a Vida, a Salvação.
Vamos fazer um trabalho da Palavra de Deus, seja aqui dentro da Igreja, seja
na sua casa, não deixe a Bíblia cheia de poeira para enfeitar
a estante, mas como livro de cabeceira de onde eu tiro de fato a minha força
para todos os problemas de vida.
Que a alegria do Senhor seja a minha força, seja a nossa força,
em todos os momentos e toda a minha vida Santa.
Louvado seja nosso senhor Jesus Cristo,
PARA SEMPRE SEJA LOUVADO.
Leituras dia 21
III Dom Comum: Ne. 8, 2-4a. 5-6. 8-10 / Sl 188 / 1 Cor 12, 12-30 / Lc 1, 1-4;
4,14-21
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