O ESCAPULÁRIO

"A devoção do Escapulário do Carmo fez descer sobre o mundo copiosa chuva de graças espirituais e temporais". (Pio XII, 6/8/50)

O Escapulário ou Bentinho do Carmo é um sinal externo de devoção mariana, que consiste na consagração à Santíssima Virgem Maria, por meio da inscrição na Ordem Carmelita, na esperança de sua proteção maternal. O escapulário do Carmo é um sacramental. No dizer do Vaticano II, "um sinal sagrado, segundo o modelo dos sacramentos, por intermédio do qual significam efeitos, sobretudo espirituais, que se obtêm pela intercessão da Igreja". (S.C. 60)

No dia 16 de julho de 1251, São Simão Stock teve uma visão da Virgem Maria sentada numa nuvem cercada de anjos, confirmando sua proteção celeste.Como símbolo de sua união aos carmelitas, entregou à Simão o Escapulário do Carmo, e disse-lhe: "Recebe, meu filho, este escapulário da tua ordem, que será o penhor do privilégio que eu alcancei para ti e para todos os filhos do carmo. Todo o que morrer com este escapulário será preservado do fogo eterno".

O Escapulário é símbolo próprio para exprimir devoção à Mãe de Jesus, bem como a filiação dos fiéis à família Carmelita. Para os leigos carmelitas, hoje em dia, o escapulário é uma pequena tira de pano ou mesmo medalha metálica que estes usam após uma singular cerimónia de imposição
Sinal externo, exprime a convicção do afiliado a viver consagrado à Virgem Maria e sob a sua proteção. Recorda àquele que o usa, o compromisso da Ordem e o seu jeito de vida, a dimensão mariana do carisma carmelita (que se caracteriza por uma vida de familiaridade com Maria, impregnada de oração, imitação e presença).
Concretamente, como meio de consagração, o escapulário fala - como dizia o Papa Pio XII - de humildade, de castidade, de oração contínua e de todas as virtudes da Mãe, das quais o devoto se deve revestir e é convidado a uma íntima união com Deus e ao serviço humilde do próximo na Igreja.

Na Idade Média muitos cristãos queriam unir-se às Ordens Religiosas então fundadas: Franciscanos, Dominicanos, Agostinianos, Carmelitas. Surgiu um laicado a elas associados mediante às Confrarias. As Ordens religiosas trataram de dar aos leigos um sinal de filiação e de participação em seu espírito e apostolado.
Este sinal estava constituído por uma parte significativa do hábito: capa, cordão, escapulário. Entre os Carmelitas se estabeleceu o Escapulário, em forma reduzida, como expressão de pertença a Ordem e de compartilhar sua devoção mariana. Atualmente o Escapulário da Virgem do Carmo é um sinal aprovado pela Igreja e proposto pela Ordem Carmelitana como manifestação do amor de Maria por nós e como expressão de confiança filial; Ela, cuja vida queremos imitar.
O "Escapulário" em sua origem era um avental que os monges vestiam sobre o hábito religioso durante o trabalho manual. Com o tempo assumiu um significado simbólico de querer levar a cruz de cada dia, como verdadeiros seguidores de Jesus. Em algumas Ordens religiosas, como o Carmelo se converteu num sinal de decisão de viver a vida como servos de Cristo e de Maria. O Escapulário simbolizou o vínculo especial dos Carmelitas a Maria, Mãe do Senhor, expressando a confiança em sua materna proteção e o desejo de seguir seu exemplo de doação a Cristo e aos demais. Assim se transformou num sinal mariano por excelência.
Vários Papas promoveram o uso do escapulário e Pio XII chegou a escrever: "Devemos colocar em primeiro lugar a devoção do escapulário de Nossa Senhora do Carmo" - e ainda - "escapulário não é 'carta-branca' para pecar; é uma 'lembrança' para viver de maneira cristã, e assim, alcançar a graça duma boa morte". Bento XV o pontífice da paz, chamou o Escapulário a "arma dos cristãos" e aconselhava aos seminaristas que o usassem. Pio IX gravou em seu cálice a seguinte inscrição:"Pio IX, confrade Carmelita". Leão XVIII, pouco antes de morrer, disse aos que o cercavam: "Façamos agora a Novena da Virgem do Carmo e depois morreremos".
Pio XI escrevia, em 1262, ao Geral dos Carmelitas: "Aprendi a conhecer e a amar a Virgem do Carmo nos braços de minha mãe, nos primeiros dias de minha infância". Pio XII afirmava: "É certamente o Sagrado Escapulário do Carmo, como veste Mariana, sinal e garantia da proteção e salvação ao Escapulário com que estavam revestidos. Quantos nos perigos do corpo e da alma sentiram a proteção Materna de Maria".
O Papa João XXIII assim se pronunciou: "Por meio do Escapulário do Carmo, pertenço à família Carmelitana e aprecio muito esta graça com a certeza de uma especialíssima proteção de Maria. A devoção a Nossa Senhora do Carmo torna-se uma necessidade e direi mais uma violência dulcíssima para os que trazem o Escapulário do Carmo"
Paulo VI afirmava que entre os exercícios de piedade devem ser recordados o Rosário de Maria e o Escapulário do Carmo.
O Papa João Paulo II é devotíssimo de Nossa Senhora e coloca a recitação do Rosário entre suas orações prediletas. Ele quis ser Carmelita. Defendeu sua tese sobre São João da Cruz, o grande Carmelita renovador da Ordem.


O uso do Escapulário a virgem nos ensina:

. Viver abertos a Deus e a sua vontade, manifestada nos acontecimentos da vida;
. Escutar e praticar a palavra de Deus;
. Orar fielmente sentindo a presença de Deus em todos os acontecimentos;
. Viver próximo de nossos irmãos e ser solidários com eles em suas necessidades.
. Alimentar a esperança do encontro com Deus na vida eterna pela proteção e intercessão de Maria

ESCAPULÁRIO DO CARMO NÃO É:


. Um amuleto (um objeto para uma proteção mágica);
.Uma garantia automática de salvação;
.Uma desculpa para não viver as exigências da vida cristã, ao contrário;

O ESCAPULÁRIO DO CARMO É:


Um sinal "forte" aprovado pela Igreja há vários séculos e representa nosso compromisso de seguir a Jesus Cristo como Maria:
abertos a Deus e a sua vontade; guiados pela fé, pela esperança e pelo amor; solidários aos necessitados; orando constantemente e descobrindo a presença de Deus em tudo; um sinal que introduz na família do Carmelo; um sinal que alimenta a esperança do encontro com Deus na vida eterna sob a proteção de Maria Santíssima.

NORMAS PRÁTICAS


O Escapulário é imposto uma única vez por um sacerdote carmelita ou outra pessoa autorizada; Pode ser substituído por uma medalha que represente por uma parte a imagem do Sagrado Coração de Jesus, e por outra a da Virgem. Esta medalha é abençoada quando é trocada. O Escapulário é para os cristãos autênticos que vivem conforme as exigências evangélicas, recebem os Sacramentos e professam uma especial devoção a Santíssima Virgem (expressada com a reza cotidiana de ao menos três Aves Marias).

Privilégio Sabatino: livre do Purgatório no primeiro sábado após a morte

Além dessa graça específica da salvação eterna, ligada ao Escapulário, Nossa Senhora concedeu outra, que ficou conhecida como privilégio sabatino.
No século seguinte, apareceu Ela ao Papa João XXII, a 3 de março de 1322, comunicando àqueles que usarem seu Escapulário:
"Eu, sua Mãe, baixarei graciosamente ao purgatório no sábado seguinte à sua morte, e os lavarei daquelas penas e os levarei ao monte santo da vida eterna" .
Quais são, então, as promessas específicas de Nossa Senhora?
1º. Quem morrer com o Escapulário não padecerá o fogo do inferno.
Que desejava Nossa Senhora dizer com estas palavras?- Em primeiro lugar, ao fazer a sua promessa, Maria não quer dizer que uma pessoa que morra em pecado mortal se salvará.
A morte em pecado mortal e a condenação são uma e a mesma coisa.
A promessa de Maria traduz-se, sem dúvida, por estas outras palavras:
"Quem morrer revestido do Escapulário, não morrerá em pecado mortal".
Para tornar isto claro, a Igreja insere, muitas vezes, a palavra "piamente" na promessa: "aquele que morrer piamente não padecerá do fogo do inferno" .

2º. Nossa Senhora livrará do Purgatório quem portar seu Escapulário, no primeiro sábado após sua morte.


Embora freqüentemente se interprete este privilégio ao pé da letra, isto é, que a pessoa será livre do Purgatório no primeiro sábado após sua morte, "tudo que a Igreja, para explicar estas palavras, tem dito oficialmente em várias ocasiões, é que aqueles que cumprem as condições do Privilégio Sabatino serão, por intercessão de Nossa Senhora, libertos do Purgatório pouco tempo depois da morte, e especialmente no sábado" .
De qualquer modo, se formos fiéis em observar as palavras da Virgem Santíssima, Ela será muito mais fiel em observar as suas, como nos mostra o seguinte exemplo:
Durante umas missões, tocado pela graça divina, certo jovem deixou a má vida e recebeu o Escapulário.
Tempos depois recaiu nos costumes desregrados, e de mau tornou-se pior. Mas, apesar disso, conservou o santo Escapulário.
A Virgem Santíssima, sempre Mãe, atingiu-o com grave enfermidade. Durante ela, o jovem viu-se em sonhos diante do justíssimo tribunal de Deus, que devido às suas perfídias e má vida, o condenou à eterna danação.
Em vão o infeliz alegou ao Sumo Juiz que portava o Escapulário de sua Mãe Santíssima.
- E onde estão os costumes que correspondem a esse Escapulário? - perguntou-lhe Este.
Sem saber o que responder, o desditoso voltou-se então para Nossa Senhora.
- Eu não posso desfazer o que meu Filho já fez - respondeu-lhe Ela.
- Mas, Senhora! - exclamou o jovem - Serei outro.
- Tu me prometes?
- Sim.
- Pois então vive.
Nesse momento o doente despertou, apavorado com o que vira e ouvira, fazendo votos de portar doravante mais seriamente o Escapulário de Maria.
Com efeito, sarou e entrou para a Ordem dos Premonstratenses.
Depois de vida edificante, entregou sua alma a Deus.
Assim narram as crônicas dessa Ordem.