A Ordem do Carmo
No início era chamda de Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada
Virgem Maria do Monte Carmelo, surgiu no final do século XI, na região
do Monte Carmelo.
A palavra "carmelo" significa jardim. Conta a tradição
que o profeta Elias se estabeleceu numa gruta, no Monte Carmelo, seguindo
uma vida eremítica de oração e silêncio. Mais tarde,
a Regra do Carmo foi sistematizada e proposta por Santo Alberto, Patriarca
de Jerusalém, e aprovada pelo Papa Honório III em 1226. No século
XIII migrou para o Ocidente, fugindo das invasões sarracenas.
No século XVI, na Espanha, Santa Teresa de Ávila e São
João da Cruz conduziram um processo de renovação do carisma
da Ordem do Carmo. Do qual surgiu um novo ramo: o ramo dos carmelitas descalços.
Os ramos da Ordem do Carmo
Carmelitas da Antiga Observância
A Ordem dos Carmelitas da Antiga Observância (ou Carmelitas Calçados)
são o ramo mais antigo e originário da Ordem do Carmo.
Ordem Terceira do Carmo
A Venerável Ordem Terceira do Carmo (ou, simplesmente, Terceiros Carmelitas)
é um ramo da Ordem do Carmo composto pelo grupo de membros leigos dos
Carmelitas da Antiga Observância, os quais encontram-se sempre unidos
em comunhão fraterna com os frades contemplativos e com as freiras
de clausura da sua ordem religiosa. Este ramo baseia-se, por norma, no carisma
carmelita original, ainda que partilhe a riqueza espiritual do ramo reformado
por Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz.
A instituição da Ordem Terceira do Carmo, depois também
chamada de Venerável devido ao fato de se tratar da maior ordem religiosa
mariana), remonta ao tempo de São Simão Stock que, além
de ter sido um importante empreendedor na constituição da Ordem
do Carmo, foi quem recebeu das mãos de Nossa Senhora o Seu famoso Escapulário,
sob a promessa de divinas graças que seriam concedidas aos seus confrades
que o usassem com devoção. É considerado, contudo, como
fundador das Irmãs Carmelitas de clausura e da própria Ordem
Terceira do Carmo, o Beato João Soreth. Na realidade, tal deve-se ao
fato de que, em meados do século XV, apesar dessas comunidades religiosas
já existirem, estas viviam sem Regra definida e foi ele quem deu-lhes
a devida forma canônica. Foi o Beato João Soreth quem, na primeira
pessoa, empreendeu todos os esforços necessários e obteve do
Papa a aprovação dos estatutos legais e o reconhecimento da
Ordem das Irmãs Carmelitas de clausura e da Ordem Terceira do Carmo
(sendo esta última composta maioritariamente por homens e mulheres
leigos, mas que estão ligados espiritualmente, de modo bastante particular,
aos restantes membros da Ordem do Carmo).
Ordem dos Carmelitas Descalços
A Ordem dos Carmelitas Descalços (ou, simplesmente, Carmelitas Descalços)
é um ramo da Ordem do Carmo, formado em 1593, que resulta de uma reforma
feita ao carisma carmelita elaborada por Santa Teresa de Ávila e São
João da Cruz. Este ramo divide-se em três diferentes tipos de
família carmelita: os padres ou frades, as freiras de clausura e os
leigos.
No século XVI, Santa Teresa de Ávila iniciou um processo de
reforma ao carisma carmelita. Fez um voto de que haveria de seguir sempre
o caminho da perfeição, e resolveu mantê-lo o mais próximo
possível daquilo que a Regra do Carmo permitia. Numa noite do mês
de Setembro de 1560, Teresa de Ávila decidiu reunir um grupo de freiras
na sua cela e, tomando a inspiração primitiva da Ordem do Carmo
e a reforma descalça de São Pedro de Alcântara, propôs-lhes
a fundação de um mosteiro de tipo eremítico. Em 1562
é, então, fundado um novo mosteiro (que foi especialmente dedicado
a São José). Por seu lado, em Duruelo, São João
da Cruz e Antônio de Jesus fundaram também um novo e primeiro
convento masculino destinado aos frades Carmelitas Descalços. Em 1593,
o Papa Clemente VIII concedeu total autonomia ao ramo dos Carmelitas Descalços
(separando o seu carisma do carisma do ramo dos Carmelitas da Antiga Observância,
desde então também chamados de Carmelitas Calçados para
que melhor se pudesse estabelecer a diferença).
Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares
A Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (ou, simplesmente, Carmelitas
Seculares) é um ramo da Ordem do Carmo destinado ao grupo de leigos
dos Carmelitas Descalços, os quais encontram-se assim sempre unidos
em comunhão fraterna com os frades contemplativos e com as freiras
de clausura da sua ordem religiosa. Este ramo também se baseia na reforma
feita ao carisma carmelita elaborada por Santa Teresa de Ávila e São
João da Cruz.
A Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares nasceu da vontade de algumas
comunidades de leigos poderem fazer parte do carisma característico
à das comunidades de religiosos consagrados da Ordem dos Carmelitas
Descalços. Daí que, pouco depois da reforma do Carmelo, também
se pudessem contemplar leigos como família carmelita. Os leigos Carmelitas
Descalços Seculares assumem-se como "uma associação
de fiéis que se comprometem a procurar no mundo a perfeição
evangélica, inspirando e nutrindo a sua vida cristã com a espiritualidade
e a orientação do Carmelo Teresiano" (artº 1 da Norma
de Vida). Por outras palavras, o Carmelo Secular é constituído
por leigos que procuram viver fielmente a sua vocação de batizados,
pondo em prática o Evangelho com a ajuda da espiritualidade carmelita.
Os Carmelitas Descalços Seculares constituem-se em pequenas fraternidades
e "pertencem inteiramente à família carmelitana e são
filhos da mesma Ordem, na comunhão fraterna dos mesmos bens espirituais,
na participação da mesma vocação à santidade
e da mesma missão na Igreja com a diferença essencial do estado
de vida" (artº 1 da Norma de Vida).
Regra do Carmo
A Regra do Carmo foi escrita por Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém,
entre os anos 1206-1214 para os eremitas latinos do Monte Carmelo, que vieram
a ser os carmelitas. Foi aprovada pelo Papa Honório III em 30 de Janeiro
de 1226 e confirmada por Gregório IX em 6 de Abril de 1229. No dia
1 de Outubro de 1247 o Papa Inocêncio IV a aprovou definitivamente com
algumas modificações através da bula Quae honoris conditoris.
A bula original se perdeu, mas há uma cópia do texto latino
da Regra do Carmo no Arquivo Secreto Vaticano (Reg. Vat. 21,465v-466r). A
bula era do tipo de documento pontifício chamado “littera sollemne
bullata”, ou seja, o documento papal mais solene da época.
Com a aprovação definitiva da Regra, os carmelitas se tornaram,
de direito, um verdadeira ordem religiosa entre os mendicantes.
