VOCAÇÃO

Em fevereiro de 1818, uma sexta-feira, João Maria Batista Vianney chegou em Ars. Veio em uma carruagem, guiada por um paroquiano de Ecully, onde carregou seus pertences e uma biblioteca com trezentos volumes. Apesar de pequena instrução, gostava de ler livros. Ao chegar à cidadezinha ficou meio confuso, porque a neblina cobria as casas. O entendimento entre ele e o menino, Antonio Givre,foi difícil, pois este não sabia Francês e o dialeto de Ars era bem diferente de Ecully. Então perguntou ao garoto: “Menino, onde está Ars?” O menino apontou com o dedo dizendo-lhe: “É ali mesmo”. E João Maria Vianney disse ao menino: “Você me ensinou o caminho de Ars, e eu lhe ensinarei o caminho do céu”. É tradição ou lenda, de que o padre Vianney disse ao menino: “Tu me mostraste o caminho de Ars; eu te mostrarei o caminho do Céu”. Predição, ou não, o certo é que o pequeno pastor Antonio Givre morreu alguns dias depois dela. Um monumento de bronze, na entrada de Ars, lembra esse primeiro encontro.
Quando o jovem sacerdote chegou a Ars, esta era um pequeno aglomerado de casas, contando apenas com cerca de 250 habitantes, quase todos agricultores. Era pequena no tamanho, mas enorme quanto aos problemas: muitas casas de jogatina, de prostituição, de vícios, cidade paganizada. A capela estava sempre vazia, o povo não freqüentava os sacramentos e o domingo era marcado por festas profanas.
A fé não era vista com seriedade.. Aí ele dobrou seu tempo de oração. Seu jejum era permanente, habitualmente passando três dias sem comer. Mas ele sobretudo passava horas e horas ajoelhado diante do Santíssimo Sacramento, implorando a conversão de seus paroquianos.

João Maria Batista Vianney era simples, por isso, quando chegou na paróquia de Ars, devolveu alguns móveis à proprietária, deixando somente o necessário. A sua alimentação era muito simples, apenas algumas batatas cozidas. Ele viveu toda a sua vida dedicada a Deus. Ele repousava de 02 a 04 horas no máximo por noite.
Visitava as famílias e as convidava para a Santa Missa. Ars começou a transformar-se. Alguns começaram a ir à capela. A capela se enchia. Então o pároco fundou a Confraria do Rosário para as mulheres, e a Irmandade do Santíssimo Sacramento para os homens. Diante disso, os donos dos bares e organizadores de jogatinas começaram uma dura perseguição contra o Padre Vianney. Este chegou a dizer, “Ah, se eu soubesse o que é ser vigário, teria entrado num convento de monges”.
Ars virou santuário com peregrinações. Pessoas cultas de outras cidade iam ouvir as homilias do Cura d’Ars. Quando algum padre lhe perguntava qual o segredo de tudo aquilo, o Padre Vianney lhe respondia: “Você já passou alguma noite em oração? Já fez algum dia de jejum?”. Ele viveu toda a sua vida dedicada a Deus. Eram inúmeras as pessoas que vinham se confessar com ele. Ele passou a maior parte de sua vida no confessionário. Chegava a ficar 14 horas confessando os paroquianos. Como era grande o número de pessoas, ele dividiu em vários confessionários, um para mulheres outro para homens, outro para doentes, etc. Ele marcava os horários para cada um. O Cura d’Ars acreditava no poder da oração e do jejum e na resposta do bom Deus. Ele tinha em sua mente a exortação de São Paulo Apostolo: “Orai sem cessar” (1 Ts 5, 17). Não era orador, não falava com eloqüência, nas homilias perdia o fio da meada, atrapalhava-se, outras vezes não sabia como acabá-las cortava a frase e descia do púlpito acabrunhado. O mesmo acontecia na catequese.
Passou a maior parte de sua vida no confessionário, onde viveu intensamente seu apostolado e teve sua maior atuação pelo Ministério da Providência Divina. Em seus aconselhamentos, falava do bom Deus de forma tão amorosa que todos saiam reconfortados não utilizava palavras bonitas ou idéias geniais. Sempre buscava termos do quotidiano das pessoas. Em seus últimos momentos de vida atendia a mais de 200 confissões por dia, transpassando os limites de sua paróquia, passando a atender aldeias visinhas, num total de 80 mil confissões por ano. Foi dentro de um confessionário que ele viveu consumido pela missão de reconciliar almas e sempre fiel à sua vocação. A dedicação do santo foi lembrada pelo Papa Bento XVI, na carta DO DIES NATALIS DO SANTO CURA D’ARS , para a proclamação do Ano Sacerdotal (2009 - 2010): Para nós, párocos, a grande desdita – deplorava o Santo – é entorpecer-se a alma», entendendo, com isso, o perigo de o pastor se habituar ao estado de pecado ou de indiferença em que vivem muitas das suas ovelhas. Com vigílias e jejuns, punha freio ao corpo, para evitar que opusesse resistência à sua alma sacerdotal. E não se esquivava a mortificar-se a si mesmo para bem das almas que lhe estavam confiadas e para contribuir para a expiação dos muitos pecados ouvidos em confissão. Explicava a um colega sacerdote: «Dir-vos-ei qual é a minha receita: dou aos pecadores uma penitência pequena e o resto faço-o eu no lugar deles». Independentemente das penitências concretas a que se sujeitava o Cura d’Ars, continua válido para todos o núcleo do seu ensinamento: as almas custam o sangue de Cristo e o sacerdote não pode dedicar-se à sua salvação se se recusa a contribuir com a sua parte para o «alto preço» da redenção."
Sua dedicação era tamanha e o número de pessoas era tal que o santo chegou a ficar 14 horas confessando os paroquianos, dividindo-os em vários confessionários, um para mulheres outro para homens, outro para doentes, etc. Ele marcava os horários para cada um. O Cura d’Ars acreditava no poder da oração e do jejum e na resposta do bom Deus. Ele tinha em sua mente a exortação de São Paulo Apostolo: “Orai sem cessar” (1 Ts 5, 17).