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Canonização
Frei Galvão
foi Canonizado pelo Papa Bento XVI em 11 de maio de 2007, durante a visita
do pontífice ao Brasil. A comprovação oficial e o anúncio
foi feito em 16 de dezembro de 2006.
Trata-se do caso da Sra Sandra Grossi de Almeida e de seu filho Enzo de Almeida
Gallafassi, da cidade de São Paulo-SP, hoje residentes em Brasília-DF,
Brasil.
A Sra Sandra já havia sofrido três outros abortos espontâneos,
devido a malformação do seu útero, que tornara impossível
levar a termo qualquer gravidez.
Em maio de 1999, Sandra ficou novamente grávida e sabia que a qualquer
momento poderia ter uma hemorragia e morrer.
Apesar do prognóstico médico ser de provável interrupção
da gravidez ou de que esta chegasse, no máximo, ao quinto mês,
a gestação evoluiu normalmente até a trigésima
segunda semana da gestação.
Por ser caso de alto risco, foi decidido parto por cesariana em 11/12/1999,
pois os exames comprovavam problemas, mas o parto não teve nenhuma
complicação.
A criança nasceu pesando 1.995 gr. e medindo 0,42 cm, mas apresentou
problemas respiratórios gravíssimos, foi encubada, porém
teve uma evolução positiva muito rápida e no dia seguinte
já havia melhorado, não necessitando mais da ajuda dos aparelhos.
Recebeu alta hospitalar dia 19/12/1999.
O êxito favorável deste caso raro foi atribuído a intercessão
do Beato Frei Antônio de Sant'Anna Galvão, que foi desde o início
e durante toda a gravidez invocado pela família com muita oração
e por Sandra, que além das novenas contínuas que fez, tomou
também as "Pílulas de Frei Galvão" com fé
e com a certeza de sua ajuda.
Realizado o processo diocesano, os Peritos Médicos da Congregação
das Causas dos Santos, aprovaram, por unanimidade, o fato como "cientificamente
inexplicável no seu conjunto, segundo os atuais conhecimentos científicos".
Finalmente, o Santo Padre Bento XVI depois de conhecer o fato, autorizou no
dia 16/12/2006, a Congregação das Causas dos Santos a promulgar
o Decreto, a respeito do milagre atribuído à intercessão
do Beato Frei Antônio de Sant'Anna Galvão.
O nome do primeiro santo brasileiro ficou Santo Antônio de Sant'Anna
Galvão, conhecido comumente como São Frei Galvão.
VIAGEM APOSTÓLICA DE SUA SANTIDADE BENTO XVI
AO BRASIL POR OCASIÃO DA V CONFERÊNCIA GERAL DO EPISCOPADO DA
AMÉRICA LATINA E DO CARIBE SANTA MISSA E CANONIZAÇÃO
DE FREI ANTÔNIO DE SANT'ANNA GALVÃO, OFM
HOMILIA DE SUA SANTIDADE BENTO XVI
Aeroporto "Campo de Marte", São Paulo
Sexta-feira, 11 de Maio de 2007
Senhores Cardeais
Senhor Arcebispo de São Paulo
e Bispos do Brasil e da América Latina
Distintas autoridades
Irmãs e Irmãos em Cristo,
«Bendirei continuamente ao Senhor / seu louvor não deixará
meus lábios» [Sl 33,2]
1. Alegremos-nos no Senhor, neste dia em que contemplamos outra das maravilhas
de Deus que, por sua admirável providência, nos permite saborear
um vestígio da sua presença, neste ato de entrega de Amor representado
no Santo Sacrifício do Altar.
Sim, não deixemos de louvar ao nosso Deus. Louvemos todos nós,
povos do Brasil e da América, cantemos ao Senhor as suas maravilhas,
porque fez em nós grandes coisas. Hoje, a Divina sabedoria permite
que nos encontremos ao redor do seu altar em ato de louvor e de agradecimento
por nos ter concedido a graça da Canonização do Frei
Antônio de Sant’Ana Galvão.
Quero agradecer as carinhosas palavras do Arcebispo de São Paulo, D.
Odilo Scherer, que foi a voz de todos vós, e a atenção
do seu predecessor, o Cardeal Cláudio Hummes, que com tanto esmero
empenhou-se pela causa do Frei Galvão. Agradeço a presença
de cada um e de cada uma, quer sejam moradores desta grande cidade ou vindos
de outras cidades e nações. Alegro-me que através dos
meios de comunicação, minhas palavras e as expressões
do meu afeto possam entrar em cada casa e em cada coração. Tenham
certeza: o Papa vos ama, e vos ama porque Jesus Cristo vos ama.
Nesta solene celebração eucarística foi proclamado o
Evangelho no qual Cristo, em atitude de grande enlevo, proclama: «Eu
te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas
coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos» (Mt
11,25). Por isso, sinto-me feliz porque a elevação do Frei Galvão
aos altares ficará para sempre emoldurada na liturgia que hoje a Igreja
nos oferece.
Saúdo com afeto, a toda a comunidade franciscana e, de modo especial
as monjas concepcionistas que, do Mosteiro da Luz, da Capital paulista, irradiam
a espiritualidade e o carisma do primeiro brasileiro elevado à glória
dos altares.
2. Demos graças a Deus pelos contínuos benefícios alcançados
pelo poderoso influxo evangelizador que o Espírito Santo imprimiu em
tantas almas através do Frei Galvão. O carisma franciscano,
evangelicamente vivido, produziu frutos significativos através do seu
testemunho de fervoroso adorador da Eucaristia, de prudente e sábio
orientador das almas que o procuravam e de grande devoto da Imaculada Conceição
de Maria, de quem ele se considerava ‘filho e perpétuo escravo’.
Deus vem ao nosso encontro, "procura conquistar-nos - até à
Última Ceia, até ao Coração trespassado na cruz,
até as aparições e as grandes obras pelas quais Ele,
através da ação dos Apóstolos, guiou o caminho
da Igreja nascente" (Carta encl. Deus caritas est, 17). Ele se revela
através da sua Palavra, nos Sacramentos, especialmente da Eucaristia.
Por isso, a vida da Igreja é essencialmente eucarística. O Senhor,
na sua amorosa providência deixou-nos um sinal visível da sua
presença.
Quando contemplarmos na Santa Missa o Senhor, levantado no alto pelo sacerdote,
depois da Consagração do pão e do vinho, ou o adorarmos
com devoção exposto no Ostensório renovemos com profunda
humildade nossa fé, como fazia Frei Galvão em "laus perennis",
em atitude constante de adoração. Na Sagrada Eucaristia está
contido todo o bem espiritual da Igreja, ou seja, o mesmo Cristo, nossa Páscoa,
o Pão vivo que desceu do Céu vivificado pelo Espírito
Santo e vivificante porque dá Vida aos homens. Esta misteriosa e inefável
manifestação do amor de Deus pela humanidade ocupa um lugar
privilegiado no coração dos cristãos. Eles devem poder
conhecer a fé da Igreja, através dos seus ministros ordenados,
pela exemplaridade com que estes cumprem os ritos prescritos que estão
sempre a indicar na liturgia eucarística o cerne de toda obra de evangelização.
Por sua vez, os fiéis devem procurar receber e reverenciar o Santíssimo
Sacramento com piedade e devoção, querendo acolher ao Senhor
Jesus com fé e sempre, quando necessário, sabendo recorrer ao
Sacramento da reconciliação para purificar a alma de todo pecado
grave.
3. Significativo é o exemplo do Frei Galvão pela sua disponibilidade
para servir o povo sempre quando era solicitado. Conselheiro de fama, pacificador
das almas e das famílias, dispensador da caridade especialmente dos
pobres e dos enfermos. Muito procurado para as confissões, pois era
zeloso, sábio e prudente. Uma característica de quem ama de
verdade é não querer que o Amado seja ofendido, por isso a conversão
dos pecadores era a grande paixão do nosso Santo. A Irmã Helena
Maria, que foi a primeira "recolhida" destinada a dar início
ao "Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição", testemunhou
aquilo que Frei Galvão disse: "Rezai para que Deus Nosso Senhor
levante os pecadores com o seu potente braço do abismo miserável
das culpas em que se encontram". Possa essa delicada advertência
servir-nos de estímulo para reconhecer na misericórdia divina
o caminho para a reconciliação com Deus e com o próximo
e para a paz das nossas consciências.
4. Unidos em comunhão suprema com o Senhor na Eucaristia e reconciliados
com Deus e com o nosso próximo, seremos portadores daquela paz que
o mundo não pode dar. Poderão os homens e as mulheres deste
mundo encontrar a paz se não se conscientizarem acerca da necessidade
de se reconciliarem com Deus, com o próximo e consigo mesmos? De elevado
significado foi, neste sentido, aquilo que a Câmara do Senado de São
Paulo escreveu ao Ministro Provincial dos Franciscanos no final do século
XVIII, definindo Frei Galvão como "homem de paz e de caridade".
Que nos pede o Senhor?: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amo».
Mas logo a seguir acrescenta: que «deis fruto e o vosso fruto permaneça»
(cf. Jo 15, 12.16). E que fruto nos pede Ele, senão que saibamos amar,
inspirando-nos no exemplo do Santo de Guaratinguetá?
A fama da sua imensa caridade não tinha limites. Pessoas de toda a
geografia nacional iam ver Frei Galvão que a todos acolhia paternalmente.
Eram pobres, doentes no corpo e no espírito que lhe imploravam ajuda.
Jesus abre o seu coração e nos revela o fulcro de toda a sua
mensagem redentora: «Ninguém tem maior amor do que aquele que
dá a vida por seus amigos» (ib.v.13). Ele mesmo amou até
entregar sua vida por nós sobre a Cruz. Também a ação
da Igreja e dos cristãos na sociedade deve possuir esta mesma inspiração.
As pastorais sociais se forem orientadas para o bem dos pobres e dos enfermos,
levam em si mesmas este sigilo divino. O Senhor conta conosco e nos chama
amigos, pois só aos que se ama desta maneira, se é capaz de
dar a vida proporcionada por Jesus com sua graça.
Como sabemos a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano terá
como tema básico: "Discípulos e missionários de
Jesus Cristo, para que nele nossos povos tenham vida". Como não
ver então a necessidade de acudir com renovado ardor à chamada,
a fim de responder generosamente aos desafios que a Igreja no Brasil e na
América Latina está chamada a enfrentar?
5. «Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e
eu vos aliviarei», diz o Senhor no Evangelho, (Mt 11,28). Esta é
a recomendação final que o Senhor nos dirige. Como não
ver aqui este sentimento paterno e, ao mesmo tempo materno, de Deus por todos
os seus filhos? Maria, a Mãe de Deus e Mãe nossa, se encontra
particularmente ligada a nós neste momento. Frei Galvão, assumiu
com voz profética a verdade da Imaculada Conceição. Ela,
a Tota Pulchra, a Virgem Puríssima, que concebeu em seu seio o Redentor
dos homens e foi preservada de toda mancha original, quer ser o sigilo definitivo
do nosso encontro com Deus, nosso Salvador. Não há fruto da
graça na história da salvação que não tenha
como instrumento necessário a mediação de Nossa Senhora.
De fato, este nosso Santo entregou-se de modo irrevocável à
Mãe de Jesus desde a sua juventude, querendo pertencer-lhe para sempre
e escolhendo a Virgem Maria como Mãe e Protetora das suas filhas espirituais.
Queridos amigos e amigas, que belo exemplo a seguir deixou-nos Frei Galvão!
Como soam atuais para nós, que vivemos numa época tão
cheia de hedonismo, as palavras que aparecem na Cédula de consagração
da sua castidade: "tirai-me antes a vida que ofender o vosso bendito
Filho, meu Senhor". São palavras fortes, de uma alma apaixonada,
que deveriam fazer parte da vida normal de cada cristão, seja ele consagrado
ou não, e que despertam desejos de fidelidade a Deus dentro ou fora
do matrimônio. O mundo precisa de vidas limpas, de almas claras, de
inteligências simples que rejeitem ser consideradas criaturas objeto
de prazer. É preciso dizer não àqueles meios de comunicação
social que ridicularizam a santidade do matrimônio e a virgindade antes
do casamento.
É neste momento que teremos em Nossa Senhora a melhor defesa contra
os males que afligem a vida moderna; a devoção mariana é
garantia certa de proteção maternal e de amparo na hora da tentação.
Não será esta misteriosa presença da Virgem Puríssima,
quando invocarmos proteção e auxílio à Senhora
Aparecida? Vamos depositar em suas mãos santíssimas a vida dos
sacerdotes e leigos consagrados, dos seminaristas e de todos os vocacionados
para a vida religiosa.
6. Queridos amigos, deixai-me concluir evocando a Vigília de Oração
de Marienfeld na Alemanha: diante de uma multidão de jovens, quis definir
os santos da nossa época como verdadeiros reformadores. E acrescentava:
"só dos Santos, só de Deus provém a verdadeira revolução,
a mudança decisiva do mundo" (Homilia, 20/08/2005). Este é
o convite que faço hoje a todos vós, do primeiro ao último,
nesta imensa Eucaristia. Deus disse: «Sede santos, como Eu sou santo»
(Lv 11,44). Agradeçamos a Deus Pai, a Deus Filho, a Deus Espírito
Santo, dos quais nos vêm, por intercessão da Virgem Maria, todas
as bênçãos do céu; este dom que, juntamente com
a fé é a maior graça que o Senhor pode conceder a uma
criatura: o firme anseio de alcançar a plenitude da caridade, na convicção
de que não só é possível, como também necessária
a santidade, cada qual no seu estado de vida, para revelar ao mundo o verdadeiro
rosto de Cristo, nosso amigo! Amém!
Fonte: www.vatican.va
