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O Recolhimento

Neste Recolhimento encontrou Irmã Helena Maria do Espírito Santo, religiosa que afirmava ter visões pelas quais Jesus lhe pedia para fundar um novo Recolhimento. Frei Galvão, ouvindo também o parecer de pessoas sábias e esclarecidas, considerou válidas essas visões.
Embora, fosse uma situação muito delicada, mas convencido pela enorme vontade da Irmã Helena, entregou-se de corpo e alma ao projeto de construção do futuro Mosteiro da Luz, contando com muita disposição e vontade Divina.
No dia 2 de fevereiro de 1774 foi oficialmente fundado o Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência, que seguiriam as regras das concepcionistas, aprovadas pelo Papa Júlio II, em 1511. Frei Galvão era o seu fundador. No início o Recolhimento acolhia jovens que queriam viver como religiosas, sem o compromisso dos votos.
Em 23 de fevereiro de 1775, um ano após a fundação, Madre Helena morreu repentinamente. Frei Galvão tornou-se o único sustentáculo das Recolhidas.
Alguns meses após a morte da irmã, o novo capitão-general da capitania de São Paulo ordenou o fechamento do Recolhimento. Frei Galvão foi obrigado a aceitar e também as recolhidas, três freiras voltaram para suas casas, porém sete não deixaram a casa e resistiram. Depois de um mês, graças a pressão do povo e do Bispo, o recolhimento foi aberto.
Devido aos acontecimentos, e ao grande número de vocações, Frei Galvão queria construir uma nova e definitiva casa para as irmãs contemplativas, um local para meditação, oração e louvor a Deus.
Frei Galvão foi arquiteto, mestre de obras e até mesmo pedreiro.
Durante catorze anos cuidou dessa nova construção (1774-1788) e outros catorze para a construção da igreja (1788-1802), inaugurada aos 15 de agosto de 1802 A obra, hoje o Mosteiro da Luz, foi declarada "Patrimônio Cultural da Humanidade" pela UNESCO.
Frei Galvão, além da construção e dos encargos especiais dentro e fora da Ordem Franciscana, deu toda a atenção e o melhor de suas forças à formação das Recolhidas. Era para elas verdadeiro pai e mestre. Para elas escreveu um estatuto, excelente guia de disciplina religiosa. Esse é o principal escrito, o que melhor manifesta a personalidade do Servo de Deus. O bispo de São Paulo acrescentou ao Estatuto a permissão para as Recolhidas emitirem votos enquanto permanecessem na casa religiosa. Em 1929, o Recolhimento tornou-se Mosteiro, incorporado à Ordem da Imaculada Conceição (Concepcionistas).
Em várias ocasiões as exigências da sua Ordem Religiosa pediam que se mudasse para outro lugar para realizar outras funções, mas tanto o povo e as Recolhidas, como o bispo, e mesmo a Câmara Municipal de São Paulo intervieram para que ele não saísse da cidade. Diz uma carta do "Senado da Câmara de São Paulo" ao Provincial (superior) de Frei Galvão: "Este homem tão necessário às religiosas da Luz, é preciosíssimo a toda esta Cidade e Vilas da Capitania de São Paulo, é homem religiosíssimo e de prudente conselho; todos acorrem a pedir-lho; é homem da paz e da caridade".
Frei Galvão viajava constantemente pela capitania de São Paulo, pregando e atendendo as pessoas. Fazia todos esses trajetos sempre a pé, não usava nem cavalos. Vilas distantes sessenta quilômetros ou mais, municípios do litoral, ou mesmo viajando para o Rio de Janeiro, enfim, não havia obstáculos para o seu zelo apostólico. Por onde passava as multidões acorriam. Ele era alto e forte, de trato muito amável, recebendo a todos com grande caridade.
Em 1811, a pedido do bispo de São Paulo, fundou o Recolhimento de Santa Clara em Sorocaba, no Estado de São Paulo. Aí permaneceu onze meses para organizar a comunidade e dirigir os trabalhos iniciais da construção da Casa.
Frei Galvão voltou para São Paulo e ainda viveu 10 anos. Quando as forças impediram o ir-e-vir diário do Convento de São Francisco ao Recolhimento da Luz, durante sua última doença, Frei Antonio passou a morar num "quartinho" (espécie de corredor) atrás do Tabernáculo, no fundo da Igreja, graças às insistências das religiosas, que desejavam prestar-lhe algum alívio e conforto.
Às 10:00 horas do dia 23 de Dezembro de 1822, no Mosteiro da Luz de São Paulo, havendo recebido todos os Sacramentos, adormeceu santamente no Senhor, contando com seus quase 84 anos de idade. Foi sepultado na Capela-Mor da Igreja do Mosteiro da Luz, e sua sepultura, ainda hoje continua sendo visitada pelos fieis. Sobre a lápide sepulcrar de Frei Galvão está escrito para eterna memória: "Aqui jaz Frei Antônio de Sant'Ana Galvão, ínclito fundador e reitor desta casa religiosa, que tendo sua alma sempre em suas mãos, placidamente faleceu no Senhor no dia 23 de dezembro do ano de 1822".
A Arquidiocese de São Paulo coloca sob a proteção do Beato Frei Galvão, a vida, a família e o trabalho de todos os profissionais da construção civil que constroem esta grande cidade. A festa do Beato Frei Galvão é celebrada, anualmente, no dia 25 de outubro.